quarta-feira, 29 de setembro de 2010

To cansado de ser manipulado pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista

Eu era ainda um pré-adolescente quando pela primeira vez na vida ouvi falar de política no púlpito de uma igreja evangélica. A mim, que ainda não votava, isso nem deveria ter atingido tanto, mas confesso que o estado de medo pregado por aquele pastor me fez pensar que tudo aquilo era verdade.
Pelas palavras do ministro evangélico se o candidato socialista ganhasse a eleição, vencendo Fernando Collor, nossas igrejas seriam fechadas, os cristãos seriam perseguidos e não haveria mais a liberdade de adorarmos ao nosso Senhor neste país. Aquilo me meteu medo e me fez odiar o tal homem barbudo que tinha um apelido demasiado curioso: Lula.
Mas aconteceu de o sujeito de barba ganhar eleições, depois de perder três vezes, sendo que as igrejas não foram fechadas, os cristãos não sofreram perseguição do Estado e ninguém impediu nossos cultos.
Com o tempo cresci, aprendi muitas coisas, me tornei cientista político e votei várias vezes, vendo aquele discurso, que não poderia ser chamado de outra coisa a não ser "terrorismo eleitoral religioso", desaparecer por uns anos. Pelo menos até a fala da "namoradinha do Brasil", a atriz Regina Duarte, que apareceu numa propaganda eleitoral se dizendo "com medo da eleição do Lula". Mas era parte de uma classe artística de direita e não algo de cunho religioso. Não me atingiu tanto, pois.
A religião viria a se mostrar bastante forte tempos depois, com uma eleição para o Senado Federal. Numa que já parecia peleja ganha, a candidata Jandira Feghali, do PC do B, perdeu uma eleição na véspera - tinha a vitória garantida por pesquisas até dois dias antes do pleito - para Francisco Dornelles, do PP, que utilizou-se de um fato social importantíssimo - a religião - para fazer o mesmo terrorismo que meu pastor fizera anos antes. Se Jandira fosse eleita, dizia um comunicado que Dornelles pagou para ser distribuído pelas igrejas do interior do Estado do Rio de Janeiro, o aborto seria liberado, teríamos uma "pouca vergonha com casamentos gays" e a liberdade de fé seria cerceada. Aquela eleição, já tida como ganha, se tornou uma derrota histórica para a candidata do PC do B. Sim, a religião se provava detentora de uma força descomunal.
As eleições que se aproximam também têm conseguido se valer do fator religião. Um pastor evangélico, se dizendo "defensor da moral e dos bons valores cristãos", decidiu espalhar um vídeo onde diz que o voto no PT será um voto pela liberação do aborto, pela união civil de homossexuais e pela provocação da ira de Deus, que visitaria nosso país com grande furor divino, pois ficaria irritado com a iniquidade do povo. O vídeo fez e faz sucesso e não são poucos os apoiadores de tal mensagem, pessoas que fazem de tudo para que aquele comunicado chegue "a todos os evangélicos e pessoas de bem do país". Mas a empreitada parece repetir as mentiras do passado.
É importantíssimo dizer que a questão versa sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), que, para muito além de assuntos como as discussões acerca do aborto e união civil de homossexuais, é uma empreitada pela instauração de direitos humanos de toda natureza.
Importante também lembrar que a luta dos homossexuais pela união civil de pessoas do mesmo sexo não é algo partidário, mas uma busca de um movimento social como qualquer outro. Incomoda alguns mais conservadores e isso já era de se esperar, todavia, essa luta, pelo que vemos e entendemos de movimentos sociais, não deixará de existir se um ou outro partido tomar o poder. Se qualquer um de nós perguntar aos homossexuais se eles deixariam de lutar por esse objetivo a depender do partido que venha a vencer as eleições, a resposta será um categórico NÃO. Portanto, falar que um partido no governo seria algo a fomentar isso, não é verdade, pois o pleito de homossexuais estará em pauta de luta ganhe o partido que ganhar.
Do mesmo modo, a luta das mulheres, sobretudo as do movimento feminista, pelo direito ao aborto não será deixada de lado por causa deste ou daquele partido vencedor da eleição.
Outra questão curiosa é o fato de que a ira de Deus - que foi "profetizada" para o caso de o país se deixar levar por uma eleição num partido como o PT - não se acendeu sobre a nação por conta de um grupo de pastores, participantes do mensalão do DEM, em Brasília, que, após ganharem propina por seus serviços ao governador Arruda, oraram para agradecer a Deus pelo crime! Interessantíssimo lembrar que nenhum dos pastores que agora fazem "terrorismo eleitoral religioso" lembrou de falar de "iniquidade" ou "ira divina" naquela ocasião. Seria porque eram pastores roubando e isso poderia ser por Deus desculpado? Claro que não. As razões parecem ser outras e bem mais profundas.
A verdade nua e crua é que os pastores que propagam esse alarde nada mais fazem do que impedir um processo democrático, obrigando suas ovelhas a votarem num candidato, e fazendo valer o que a história do país apresenta como "voto de cabresto". Votos que saem de verdadeiros "currais eleitorais" em que acabaram, infelizmente, por se tornar as nossas igrejas ditas protestantes.
Não, nossas igrejas em sua maioria não são protestantes; são evangélicas e só. Mas ser evangélico hoje em dia não significa muita coisa. Qualquer elemento mal intencionado vende discos aos borbotões - e com músicas de péssima qualidade, diga-se - com o rótulo bastante vendável de "evangélico". Por conta disso, envergonhado de me dizer evangélico, passei a optar pela nomenclatura protestante.
Infelizmente, nossas igrejas estão abarrotadas de gente facilmente manipulável. Todas ávidas por votar sem qualquer liberdade, desde que seja no "candidato do pastor". Infelizmente, também, nossa liberdade protestante foi cerceada por evangélicos que retornaram às práticas medievais, nada mais fazendo do que adoecer o povo com alienações de toda natureza. Mas protestantismo não é isso, sabemos. Ou, pelo menos, deveríamos saber e ensinar.
Ser protestante e bom pastor de fato, profetizando a verdade e a justiça divinas, é ensinar ao povo sobre as razões que fizeram o Eike Batista nascer bilionário (pesquisem a história do pai dele, Eliezer Batista, presidente da Vale do Rio Doce quando esta ainda era uma empresa estatal), é fazer o povo entender a razão de o Daniel Dantas não ser preso jamais, é contar a história de escravismo nas fazendas de Francisco Mendes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ensinando ao povo sobre as razões que levam o mesmo Mendes a votar contra a Lei da Ficha Limpa. Fora disso, não há justiça; não há profecia. Há alienação e mentira travestidas de verdade revelada, mas que se mostram falácias as mais grosseiras.
Oxalá Deus nos escute a oração, dando ao nosso povo pastores segundo o Seu coração e fazendo com que nossa gente queira ser vocacionada àquilo para o que Ele mesmo nos chamou; a verdadeira liberdade.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ELEIÇOES 2010: PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL

A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamosum povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.
Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas:
(1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado;
(2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as ideias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.
1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade.
Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil.
Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?
2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?).
Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós.
Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniquidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniquidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!
3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados.
Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade.
Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.
4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica.
Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins , citado por W. Shurden).
Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do Estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o Estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.
5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”.
Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.
Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Tenho mais fama que Deus..."

Não amigos, a frase acima nao é minha, mas sim do "astro" adolescente conhecido como Justin Bieber. Esse garoto recentemente disse em entrevista a um programa da MTV americana que ele é mais famoso do que Deus. Fiquei pensando aonde vamos parar? Viajei no tempo e me lembrei de algumas pessoas e fatos que também pensaram e agiram como esse garoto.
Creio que a culpa é nossa aliás, nao minha e nem sua meu caro leitor, mas daqueles que colocaram esse menino num pedestal. Fazemos parte de uma cultura onde ter um rostinho bonito e agradar a massa faz parte do show, aliás do grande reality show que se tornou a vida. Nos esquecemos daqueles que estao a marcê do nosso governo, daqueles que estao passando fome, daqueles que nao tem onde morar... e seguimos (lembra-se do twitter) e "adoramos" pessoas vazias e sem a menor condição de estar na posição que estão.
Confesso que tive pena do garoto, parece-me que ele nao está sendo bem orientado, nao sei se pelos pais e/ou empresários... mas falta orientação a esse menino.
Que Deus tenha misericórida de nós e nos ensine a ter como exemplos e ídolos aqueles que realmente tem condições de serem.

Ainda bem que não é só eu que pensa assim !

Pastor do Conselho de Doutrina da Assembleia de Deus censura campanha de Silas Malafaia


O Pr. Carlos Roberto Silva, vice presidente executivo da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo e Membro do Conselho de Doutrina da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, condenou a ‘Campanha da Semente de R$ 1.000,00′ do Pr. Silas Malafaia (foto) e do Pr. norte americano Mike Murdock lançada em seu programa de TV

O Pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia no último dia 03 de Abril em parceria com o Pastor da Teologia da Prosperidade, o norte americano Mike Murdock lançou em seu programa um novo desafio chamado: Clube de 1 milhão de Almas, com o objetivo de evangelizar, mantendo os programas de televisão e realizando cruzadas e congressos.

Para fazer parte do clube, é preciso plantar uma ‘semente’ voluntária de R$ 1.000,00 e como agradecimento quem ceifar receberá o livro 1001 Chaves de Sabedoria, de Mike Murdock e também um certificado do clube como descrito no hot site da campanha, que inclusive possui um contador de almas conquistadas.
Mas este projeto não está sendo visto com bons olhos pela maioria dos líderes da Assembleia de Deus.

O Pr. Carlos Roberto Silva, vice-presidente executivo da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo e membro do Conselho de Doutrina da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, condena a ‘Campanha da Semente de R$ 1.000,00’ do Pr. Silas Malafaia e do Pr. norte americano Mike Murdock lançada em seu programa de TV.

‘Isso é no mínimo lamentável, vergonhoso e desonroso para a nossa denominação. O Pr. Silas Malafaia é hoje um ícone, talvez o único dessa estirpe em mídia nacional, pertencente à nossa querida Assembleia de Deus. A função por ele exercida no mais alto fórum da denominação assembleiana, bem como sua projeção midiática, faz com que ele seja copiado e seguido por muitos em suas peripécias doutrinárias. A carroça está descendo ladeira abaixo, em alta velocidade, sem freio e o pior de tudo: na banguela! Que Deus tenha misericórdia de nós!’ disse o Pr. Carlos Roberto.

Já o Pr. Guedes, auxiliar da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e Professor de Teologia da FAESP – Faculdade Evangélica de São Paulo, relata as implicações que a igreja sofre com campanhas como esta.

‘Primeiro, as pessoas passam a acreditar que com a “semente” lançada, estarão isentas de pregarem o evangelho, porque já fizeram a sua parte. Ou seja, repassaram essa responsabilidade ao evangelista da tv; Segundo, caem na mais nova falácia: semente e não oferta (ou semente como oferta). Ora, todos sabemos que a oferta é voluntária e não se espera retorno por doá-la, mas a semente tem em si a linguagem da colheita do fruto, logo, quem oferta não espera receber de Deus e nem O cobra, mas quem lança sementes terá, segundo essa teologia, o direito de cobrar de Deus os desdobramentos de seu plantio; Terceiro, muitos cristãos incautos que nunca contribuíram com suas igrejas locais, vêem-se “constrangidos”, “movidos” a contribuírem com o ministério do “homem de Deus”, visto que ele é o homem que Deus levantou para essa tarefa’, e completou: ‘esse tipo de teologia envenena nossa sã doutrina, causando danos em nossos posicionamentos doutrinários e teológicos. É elitista, discriminatória e põe Deus em uma tremenda “saia justa”, pois somente quem tem R$ 1.000,00 é que pode ser abençoado’.