terça-feira, 27 de abril de 2010

Sem Perder a Alma

A gente chega numa idade que parece já ter visto de tudo e do seu reverso. Em meus doze anos de convívio entre os evangélicos, ganhei a sensação de que nada mais pode me surpreender.

Já me arrepiei com o denodo de pastores que sobem morros perigosos, com a persistência de rapazes que dedicam tardes de domingo visitando hospitais, presídios e sanatórios, com a ternura de mulheres que cuidam de orfanatos.

Contudo, do mesmo modo, testemunhei horrores praticados em nome de Deus, escandalizei-me com evangelistas escarnecendo de paralíticos, revoltei-me com a manipulação exagerada de falsos milagres. Espantado, presenciei missionários, ávidos por demonstrar o tamanho de sua unção, inventando manifestações sobrenaturais.

Depois de conhecer os bastidores de algumas igrejas evangélicas, percebi o risco de tornar-me cínico. Diante de tanta ambigüidade na esfera religiosa, eu poderia aprender a comportar-me como uma hiena, sarcasticamente rindo por dentro perante tanto paradoxo.

Infelizmente, convivo com tantos doentes espirituais, que também corro sério risco de me desumanizar. Sei que posso sucumbir à tentação de ganhar o mundo inteiro e, no processo, perder minha alma; posso despersonalizar-me só para ter alguma notoriedade denominacional.

Conheci líderes com traquejo nos palcos religiosos, mas que já não beijam seus filhos há tempo. Posso citar vários que nunca leram poesia, jamais contemplaram a beleza de um pôr-do-sol, não jogam bola com os netos e desconhecem a alegria de deixar-se conduzir por uma melodia calma; muitos esqueceram que é possível ouvir o inaudível no cicio de uma brisa.

Ah, como fui tardio em desconfiar que meu ambiente religioso fosse tão perigoso! Porque não me precavi do fermento dos fariseus, paguei um preço muito alto.
Para não asfixiar a alma, senti a necessidade de achar respiradouros onde pudesse renovar meu ser.

Assim, passei a ler diversificadamente. Aprendi a gostar de poesia, biografias, romances e crônicas. Hoje, sonho ao lado de mestres das metáforas como José Lins do Rego; compenso a crueldade do mundo, viajando pelos universos paralelos imaginados por gente como Tolkien, Gabriel Garcia Márquez e Rachel de Queiroz; refresco meu coração com a sublimidade poética do Vinicius de Moraes. Em minhas tristezas, sinto-me atraído pelos Salmos de Davi e por Fernando Pessoa.

Assim, quero consagrar cada abraço que dou e recebo, e considerar meus presentes como sacramentos do cuidado de Deus. Como alquimista, busco transformar cada instante de minha breve vida, numa gostosa saudade.

Assim, desejo aprender a conversar despretensiosamente com meus amigos. Hoje, sei que preciso antecipar-me aos meus inimigos para poder oferecer-lhes um pedaço de minha paz e pedir que me ajudem a construir pontes em direção a eles.

Assim, anseio por ler a Bíblia sem a obrigação de conseguir tirar “verdades práticas” do seu texto. Tenho sede de meditar vagarosamente nas histórias, parábolas e ensinos dos dois Testamentos. Ainda hei de descobrir o que o salmista quis comunicar quando escreveu: “Provai e vede que o Senhor é bom”.
Assim, aspiro aprender a calar-me na presença de Deus. Hoje, quero exercitar-me na oração contemplativa.

Eu já quis ganhar cidades, mas hoje tenho um projeto mais fascinante, luto com todas as minhas forças para cuidar do meu coração - dele saem as fontes da minha vida.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O feriadão em duas frases...

“Não é como criança que creio em Jesus Cristo e o confesso. Meus hosanas nasceram de uma fornalha de dúvidas” – Fiodor Dostoiévski

“Eu acredito no cristianismo como eu acredito no sol, não por aquilo que ele é, mas que através dele eu posso ver tudo ao meu redor” – C.S Lewis

terça-feira, 20 de abril de 2010

Impressionante...

"Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo. E eu o digo a mim mesmo, com um amor zeloso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha nele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade" (Dostoievsky)

domingo, 18 de abril de 2010

Aqueles a quem eu devo muita coisa...

Não deixe de assistir...

Àqueles a quem eu devo Tudo...

Cumprindo uma das ordenanças

Ontem a noite estive na igreja onde congrego (Igreja Batista do Cidade Nobre) e presenciei um lindo batismo. É impossível não se emocionar ao ver pessoas professando sua fé em Cristo e passando pelas águas... momento mágico, único, cheio de alegria... Entre as pessoas estava uma irmã com um problema degenerativo na vista, segundo o pastor apenas um milagre pode ajudá-la, mas ela nem um pouco abalada estava feliz e contente por aquele dia.
Ao olhar para aquelas pessoas pude voltar no tempo e ver e sentir novamente uma alegria que parece que com o passar do tempo nos perdemos... a alegria da salvação... o primeiro amor... o encontro com o sagrado. Na verdade aqueles irmãos aprenderam na prática a cumprir uma das ordenanças... Como batistas que somos, acreditamos que o batismo é uma ordenança.
Observe a letra dessa música e veja se não é impactante...

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém,
A minha glória é fazer com que conheçam a ti.
E que diminua eu pra que tu cresças, Senhor, mais e mais.

E como os serafins que cobrem o rosto ante a ti,
Escondo o rosto pra que vejam Tua face em mim,
E que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor, mais e mais...

Refrão: { 1X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer.

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém,
A minha glória é fazer com que conheçam a ti.
E que diminua eu pra que tu cresças, Senhor, mais e mais.

E como os serafins que cobrem o rosto ante a ti,
Escondo o rosto pra que vejam Tua face em mim,
E que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor, mais e mais...

Refrão: { 3X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer.

Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!

Refrão: { 1X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer. { 2X }

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Em quem temos crido...

Que evangelho estamos vivendo?
Cada um de nós tem uma história de vida cristã. Paulo teve a sua. Timóteo, sua avó e sua mãe também viveram as suas.
Quanto a nós, o que se pode falar?O que Paulo disse da família de Timóteo e dele mesmo? Como o apóstolo, temos servido com consciência limpa, isto é, certo de que estamos servindo, de que estamos mesmo fazendo o melhor que podemos, ou estamos esperando apenas que Deus nos sirva, ou apenas tocando a vida, sem serviço, sem poesia, sem graça?
Desde que confessamos a Jesus como Salvador e Senhor, recebemos o dom. Esse dom se expressa em termos de poder, amor e equilíbrio. O poder salvador é o poder de Deus que vem ao nosso encontro; é também o poder para uma vida que reanima em nós a imagem e semelhança de Deus. O amor é o amor de Jesus que se entrega por nós e espera que nos entreguemos por Ele e pelos outros. O equilíbrio é a força que o Espírito Santo nos confere para uma vida serena, mesmo em face dos adversários internos e externos. O dom que recebemos, portanto, nos traz o poder de Deus, o amor de Cristo e o equilíbrio do Espírito Santo.
Não podemos acender o dom, mas precisamos manter acesa a chama desse dom. Como Timóteo, corremos o perigo de ver a chama desse dom se apagar.
Quando vem as dificuldades, achamo-nos sozinhos, abandonados por Deus. Perguntamo-nos até se fomos mesmo salvos. Dizendo-o ou não, sentimo-nos vitimas de uma propaganda enganosa. A alegria da vida cristã vai sendo substituída por uma vida cristã ritualizada e rotineira. Por fim, em alguns casos, nem o ritual sobrevive.
Quando convivemos mais de perto com alguns líderes e cristãos comuns, a decepção pode jogar um caminhão-pipa de água sobre a chama do dom. Não achamos que devem olhar para nós, porque somos falhos, mas olhamos para os outros, que não podem falhar. E mais uma vez, o fogo da fé vai se tornando um monte de cinzas. Se vier uma tempestade, até as cinzas se vão na lama.
Paulo também podia ter experimentado o mesmo caminho. Preso, poderia ter-se perguntado se Deus o vocacionara mesmo. Preso, poderia ter-se perguntado onde foi que errou. Paulo estava preso por ordem do imperador romano. Pelo menos era o que o imperador pensava. Pelo menos, era o que todos imaginavam. Paulo não, ele sabia que os poderes desse mundo são transitórios. Quando lhe faltou dinheiro para pregar o evangelho, trabalhou com as próprias mãos, mas sabia que a escassez seria transitória. Quando foi perseguido e chicoteado sabia que a dor seria transitória. A certeza do apóstolo era que Deus estava no controle de sua vida, por mais descontrolada que as circunstâncias a tornavam.
Paulo cria no Pai que o chamara, no Cristo que o salvara e no Espírito Santo que o preservava. Por isto, escreve, com convicção animadora: “Sei em quem tenho crido”.
E nós, em quem temos crido?

Realidade ou Utopia

Tenho 28 anos e “sei que nada sei”, contudo cheguei há uma etapa da minha vida que assim como diz a música, “É preciso saber viver”. Hoje os poucos e bons anos de experiência que tenho me ensinaram a temer; é isso... tenho medo de ferir mais pessoas, de magoar outras, de encontrar gente falsa, principalmente nos bancos de nossas igrejas (seja ela qual for...evangélica, católica, etc). Tenho medo da fé frouxa, da religiosidade medíocre, dos crentes hipócritas e dos papparazzis de plantão... mas uma coisa sei, cheguei aos 28, para alguns isso pode não parecer nada, mas com certeza não foi a toa...foi para ver Deus mais de perto. Se for por pouco tempo aqui, verei aqui e na eternidade, se for por muito tempo aqui será um bom estagio para esta eternidade. Cheguei aqui, com o desejo imenso de sonhar novos sonhos, como os de um garoto, sem os mesmos impulsos, sem os mesmos erros de avaliação, sem os mesmos medos...Aos 28 serão outros...Mas aí, espero, a história venha provar, que aquele a quem Deus chamou, nunca desamparou, aquele que Ele nunca desamparou, nunca deixou de usar, e aquele que Ele nunca deixou de usar, se realizou...Se tiver mais 28 anos, ou seja, chegar aos 56, quero olhar para trás e assim como a música, dizer: “Valeu a pena... Valeu a pena... pescador de ilusões”.
Nessa caminhada adquiri alguns sonhos, alguns possivelmente reais, outros utópicos. Contudo recordo-me do grande filósofo Friederich Nietszche que dizia: “Nada vos pertence mais que os sonhos vossos...”.
Sonho com uma igreja amiga, onde as pessoas são amigos e que tão amigos que são serão capazes de ver erros e acertos como pontes para o crescimento. Sonho ainda com uma igreja que olhe para os necessitados, onde as pessoas buscam a igreja esperando não apenas uma palavra de "paz", mas uma boa solução para a barriga vazia, o frio da noite, e o medo do amanhã. Sonho ainda com uma igreja onde louvar não é obrigação, e sim adoração. Onde a palavra não aprisiona, liberta. Onde os cultos não são encontros sociais, são encontros espirituais. Sonho com uma igreja imperfeita, risos, isso mesmo. Enjoei de ver gente falando mal do outro nos pedidos de oração. Me causa náuseas perceber o irmão pregando em nome de Deus, citando as fraquezas de seu próximo, que depois dessa deixou de ser. Sonho com uma igreja sem religião, ou sem religiosidade, onde as pessoas são livres para ser de Deus, do jeito que Deus deseja e não eu.
Pois bem, esta é a igreja dos meus sonhos, talvez você diga que isso é real, outrora há aqueles que irão dizer que isso é utópico, que respondam vossas consciências. Infelizmente algumas pessoas acostumaram-se a ver igreja no templo, pastor no pulpito...Isso não me estranha afinal de contas, muitos só são crentes no culto.

O Deserto que se faz Necessário

Quando me recordo dos bons tempos de seminário, lembro-me com muita nostalgia do capelão daquela casa que sempre nos dizia que o seminário era um deserto, e que era necessário passarmos por ele.
A história do povo de Israel só pode ser compreendida a partir do deserto. De um povo marginalizado entre as nações Deus formou o seu povo eleito, libertando-o da escravidão do Egito e levando-o para a terra prometida.
Mas a libertação teve um preço. Para chegar a terra prometida foi necessário passar pelo deserto. Durante 40 anos os hebreus viveram no deserto. Foi um período de altos e baixos, revoltas e murmurações, fome e sede, provações e infidelidades.
A esperança desaparece quando não se alimenta a fé. A fé perde sua própria coragem e audácia quando o ser humano não deseja outra coisa a não ser a satisfação de suas necessidades imediatas. Para alimentar a fé é preciso ter uma espiritualidade de deserto.
O deserto nos faz caminhar. Não deixa a pessoa se acomodar. Caminhar significa levar continuamente consigo, sem deixar para trás, o objeto da própria esperança. Significa crer que estamos sendo conduzidos para a terra prometida e que todos os caminhos da fé, por mais sinuosos que sejam, conduzem a Deus. As dificuldades encontradas no caminho servem para lembrar que a salvação é dinâmica. A provação amadurece a fé, ao mesmo tempo em que revela de modo mais evidente, a grandeza de Deus.
O deserto é um itinerário espiritual; lugar constante de tentações e discernimentos. O deserto é escola de vida, nele o cristão amadurece suas opções e se deixa conduzir pelo espírito daquele que ressuscitou.
O deserto não é casa a ser habitada, mas espaço para realizar uma profunda experiência, que torne mais verdadeira as relações com Deus e com os irmãos. No deserto o ser humano descobre sua fraqueza e se vê obrigado a buscar força e amparo somente em Deus. É no silencio fecundo e pleno que se dá o encontro com o Deus da vida. O Deus do deserto é o Deus da fé.
O deserto assim sendo, acaba se tornando um tempo de revelação de Deus, renovação da aliança e restauração da santidade pessoal e comunitária.

Tupi Or Not Tupi

Em 1922 aconteceu, na cidade de São Paulo, a semana de Arte Moderna. Ela reuniu pintores, escritores, músicos e artistas para afirmar, no ano do centenário da nossa independência, a necessidade de produzir uma cultura voltada para o Brasil, menos presa a “estrangeirismos”.
“Tupi or not Tupi: eis a questão”, diziam os modernistas, abrasileirando a frase de Hamlet, personagem de Shakespeare. Buscando nossa identidade, nosso próprio modo de ser, artistas e intelectuais saíam de um mundo fechado, eurocêntrico, e passavam a reconhecer o povo em suas obras.
A arte brasileira começou a adquirir características mais nacionais através da criatividade, ainda bem atual, de Villa Lobos, Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Oswald e Mário de Andrade, entre outros.
Na verdade quando olho para a Semana de Arte Moderna consigo entender que todo o acontecido narrado nos parágrafos acima se faz presente nos nossos dias. Como pastor me “atrevo” a falar apenas de algo onde estou inserido, nada mais do que isso.
Pensando na igreja e lembrando de um passado bem recente quando os norte americanos e europeus diziam que não tínhamos capacidade e muito menos competência para caminhar com as próprias pernas, entendo que precisamos avançar constantemente.
Mas é lamentável e muito triste que a igreja brasileira ainda não despertou para a nossa necessidade de construirmos uma teologia brasileira, voltada para o nosso povo, com liturgia brasileira, com musicas que falem da nossa realidade e acima de tudo com metodologias voltadas para a nossa realidade.
Durante anos temos importado “lixo comercial e industrial” que não vem de terras tupiniquins, muito pelo contrário, vem do norte onde o “frio e o imperialismo ideológico” se tornam cada vez mais presente.
Finalizo me recordando de um grande mestre do S.T.B.S.B. (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) chamado Clemir Fernandes que constantemente nos dizia: “Posso até estar ficando louco, mas olhem para o nosso redor e vejam. É ou não é verdade ?”. Que respondam as vossas consciências.

Rádios Evangélicas, juro que tentei

Há cerca de um mês eu mesmo me propus um desafio. Há tempos não parava para ouvir uma rádio evangélica, não que eu não tivesse tempo, eu não tinha mesmo era paciência. Mas fui duro comigo mesmo, e tentei. O que ouvi e percebi nesse desafio é o que passo a narrar neste texto.

Aqui quero abrir parênteses. Na lista de discussão do site no yahoogrupos.com.br, o Renato Fontes escreveu o seu diário de sofrimento ao passar uma semana somente ouvindo rádios evangélicas. Confesso que ele foi mais corajoso que eu. Só agüentei poucas horas... e é sobre isso que quero falar.

Minha primeira conclusão é que estamos passando por um grande deserto. A igreja deve estar passando por um grande período de estiagem, de seca. Só isso pode explicar a quantidade de músicas pedindo chuva. Faz chover, derrama tua chuva, vem com tua nuvem, abre as comportas do céu, derrama a chuva, chuva de avivamento...

Em contrapartida, também fala-se muito de fogo. Quando não é chuva, é fogo. Realmente é fogo ouvir tanta coisa assim. Tinha até uma música (?) falando do “diabo fazendo careta, e o crente com esse fogo faz churrasco de capeta”. Acho que a mesma música ainda falava de “fogo no diabo da cabeça aos pés”. As outras falavam de fogo como algo bom. Não consigo ver isso na linguagem bíblica. Fogo sempre está relacionado a destruição, juízo, etc. Era tanto fogo que, é claro, tinha que ter alguém se derretendo. Pois é exatamente o que diz uma das músicas que ouvi, num super arranjo instrumental, muita animação, uma letra boa até o ponto que fala que “eu vou me derreter...”

Lembrei-me, e não tinha como não lembrar, dos amigos de Daniel, na fornalha... nem um fio de cabelo tostado, inteiros, intactos. Eles não derreteram. Também lembrei de Paulo escrevendo aos Coríntios dizendo que “se alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um, pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo FOGO (...) se a obra de alguém se queimar (derreter), sofrerá ele dano.” Bem... eu continuo querendo não ser derretido.

Outra coisa. Alguém pode pedir para os “levitas” pararem de pregar entre as músicas? O pior é que o choro das milhares de “valadões” deu lugar a voz ofegante e “cansada” dos “Quinlans, Sheas e Fernandinhos”. Parece que os camaradas correram uma maratona antes de chegarem ali, então gritam com voz rouca, emocionada, sensual (também, com tanta música falando de beijo, abraço, colo, carinho, etc). E o público delira...

Previsão do tempo na música “gospel”: Se não tiver chuva, o tempo vai ficar nublado. Só isso pra explicar a quantidade de nuvens no céu da música evangélica. As nuvens de glória nem deixam o sol da justiça brilhar, esse é o problema. Aliás, nuvem de glória não, shekiná (esqueci que tudo agora tem que ser em hebraico). Shekiná prali, Shekiná pra lá, nuvem, peso de glória, nuvem carregada. Sai de baixo... vem temporal aí!

Aliás o tempo também está propício a romances. Como tem músicas românticas no nosso meio. Engraçado é que pra não dizerem que fizeram uma música SOMENTE romântica, todas elas têm algo do tipo “Deus quem me deu você”, só pra não admitirem que o que queriam mesmo, no fundo no fundo, era fazer sucesso no meio secular, como cantores românticos. Mas como a qualidade não é lá essas coisas, permanecem no meio “gospel”, pois aqui qualquer porcaria vende (lá também, mas o jabá é mais alto).

Outro lado dessa moeda, e esse eu acho pior, são as músicas românticas-sensuais-eróticas que são dedicadas a “Jesus”. Também, não era de se esperar menos, afinal de contas, com uma NOIVA tão desesperada...

É um tal de “quero teu colo”, “teu carinho”, “quero te beijar, te abraçar”... Mais legal ainda são algumas capas de CD´s com um Jesus “saradão” vindo resgatar a noiva. Aliás, eu gostaria de perguntar uma coisa: Quem seqüestrou a noiva??? A noiva está sendo preparada ou está em cativeiro??? Sim, porque é tanto clamor pro noivo vir resgatar a noiva que eu já nem sei mais o que pensar. E eu pensando que a noiva estava sendo adornada, purificada, preparada para as Bodas do Cordeiro. Que nada! Ela está sob domínio do inimigo, necessitando ser resgatada pela SWAT angelical ao comando do noivo “saradão”.

Aliás, realmente eles pensam que é assim. Só isso pode explicar tantos cânticos pedindo “libertação” e “cura” para os que já foram salvos. E mais uma vez eu aqui, com cara de trouxa, acreditando que a liberdade conquistada na cruz era suficiente, que o sacrifício ÚNICO de Jesus bastou para me libertar. Nada disso! Todo culto eu tenho que clamar: “Vem me libertar”, “Quebra minhas cadeias”, “Enche meu coração vazio”, “Liberta-me Senhor”. E eu pensando que “se, pois, o FILHO vos libertar, VERDADEIRAMENTE SEREIS LIVRES”. Que bobagem a minha...

Bem... na verdade foram poucas horas que consegui essa façanha de ficar ouvindo uma rádio evangélica. Não agüentei nem 6 horas... mais um pouco e eu surtava... e eu não podia surtar, estava trabalhando... sintonizei na MPB FM... e dei graças a Deus pela boa música popular brasileira...

Religião e Espiritualidade

Em primeiro lugar gostaria de fazer uma pequena explanação sobre a etimologia da palavra religião e, logo depois, apresentar o que alguns pensadores falam a respeito.
Religião vem do latim, religare, a palavra pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.
Durante séculos a palavra religião foi utilizada no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do judaísmo e cristianismo que se apropriou do termo latino "religio'. Em outras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra Rita, que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por dharma, termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a idéia de uma lei divina e eterna".
Historicamente foram propostas várias etimologias para a origem de religio. Cícero, na sua obra "De natura deorum", 45 a.C., afirma que o termo se refere a relegere, reler, sendo característico das pessoas religiosas prestarem muita atenção a tudo o que se relacionava com os deuses, relendo as escrituras. Esta proposta etimológica sublinha o caráter repetitivo do fenômeno religioso, bem como o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio, no século III e IV d.C., rejeita a interpretação de Cícero e afirma que o termo vem de religare, religar, argumentando que a religião é um laço de piedade que serve para religar os seres humanos a Deus. Na obra "A Cidade de Deus", Agostinho de Hipona, século IV d.C., afirma que religio deriva de religere, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegia de novo a Deus, do qual se tinha separado. Mais tarde, na obra "De vera religione" Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio, que via em religio uma relação com "religar".
Macróbio, no século V d.C., considera que religio deriva de relinquere, algo que nos foi deixado pelos antepassados.
Independente da origem, o termo é adotado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Quando jovem, Xenofonte participou na expedição contra Artaxerxes II, liderada pelo próprio irmão caçula do imperador persa, Cyrus, o mais Jovem, em 401 a.C., Xenofonte diz que se aconselhou com o veterano Sócrates se deveria ou não ir com Cyrus, e Sócrates indicou-lhe o oráculo de Delfos. Sua pergunta ao oráculo, no entanto, não foi de aceitar ou não o convite de Cyrus, mas "para qual dos deuses deveria rezar e prestar sacrifício, para que pudesse completar sua pretendida jornada e retornar em segurança, com bons resultados." O oráculo lhe disse para quais deuses. Quando Xenofonte retornou a Atenas e contou para Sócrates o conselho do oráculo, Sócrates o reprimiu por fazer a pergunta errada ao oráculo, mas disse: "Já que você fez essa pergunta, você deve fazer o que alegrará o deus".
É certo que todas as sociedades humanas, desde as mais primitivas, criaram seus mitos e desenvolveram ritos, valores, costumes e uma moral baseada em seu estágio de evolução sócio-econômica e intelectual. A própria figura do sacerdote era entre elas reverenciada; sendo o sumo sacerdote também uma autoridade política, além de religiosa.
Porém, a religião perpassa nas sociedades a função espiritual e também executa um fundamental papel, o de regulador e de manutenção da ordem estabelecida. Portanto, a religião atende, antes de tudo, aos interesses do Estado, e não, essencialmente, a alma humana.
Para Freud, a religião cumpre a função de ajudar o ser humano a satisfazer na imaginação o que na realidade ele não se atreve ou não pode realizar na vida real. A religião, em suas palavras, seria um erro grave e como erro, toda a ambigüidade entre signos, símbolos e realidade, é grande demais para ser real. Trata-se de um delírio da verdade.
Para Wilber (1977), a diversidade das religiões exotéricas reflete a diversidade das ideologias, idiossincrasias e paradigmas culturais.
No filme americano Coração Satânico (Angel Heart) há um diálogo entre o detetive Harry Angel e o misterioso homem chamado Louis Cyphre, que profere a seguinte expressão: "Dizem que há religiões suficientes no mundo para os homens se odiarem uns aos outros, mas não para que se amem".
Todas pregam a mesma coisa: a prática do bem. Todas condenam a mesma coisa: o exercício do mal. Todas afirmam que somos irmãos, somos iguais, que devemos nos amar e unir. Mas todas brigam entre si em nome do amor do seu Deus.
Para Karl Marx, a religião é o ópio do povo. Porque impede que o homem veja sua realidade e lute pelos seus direitos, mas aceitem suas condições de explorados.
As religiões de forma geral criam seus dogmas e liturgias e ensinam aos seus discípulos a necessidade de suas práticas como lei divina. Causam a falsa impressão de que aqueles que andam segundo os seus preceitos, doutrinas e regras evoluem espiritualmente. Entretanto, as transformações que estes discípulos manifestam são externas. Podem até se apresentar com aparências divinas, mas suas atitudes são de condenação e morte. Veja o que diz Jesus dos escribas e fariseus: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." (Mateus 23 : 27). Creio que Jesus procurou mostrar-lhes que sua religião era vã, visto que sua aparência era de religiosidade, mas seus corações estavam cheios de pecados. Pois na verdade a evolução espiritual não ocorrera no homem pelo cumprir a Lei divina (coisa que ninguém é capaz!), mas pelo crescimento
da vida de Deus no homem!
A religião se expressa em poder social e político; a espiritualidade, se expressa em amor nas suas mais variadas formas!
Nesta passagem bíblica temos uma compreensão maior da vontade de Deus na vida dos homens: "Mas os fariseus, sabendo que Jesus fizera calar os saduceus, reuniram-se; e um deles, doutor da lei, para o experimentar, fez-lhe esta pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da lei?
"Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos resumem toda a lei e os profetas". (Mateus, XXII, 34-40. ).
Enfim, os homens podem continuar a ser religiosos e a se esforçarem na pratica dogmática das leis divinas, podem ter aparências de justos e perfeitos; mas não deixaram de buscar seus proveitos próprios e de ostentarem poder. Mas o crescimento da vida interior que agrada a Deus só ocorrerá quando o próprio Deus se expressar no homem!

Doce Nome...

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Gozo e de paz tu imundas meu ser.

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Pois de paz tu imundas meu ser.

Jesus que doce nome
Que transfoma em alegria o meu triste coração
Jesus so o teu nome
É capaz de dar o homem salvação.

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Pois de paz tu imundas meu ser.

Jesus que doce nome
Que transfoma em alegria o meu triste coração
Jesus so o teu nome
É capaz de dar o homem salvação.

Acho que estou me tornando homem...

"Eu quero ver Se tu é homem mané... Do jeito que eu fui E que eu sou... Eu quero ver Se tu é homem mané...Que nem a parteira falou...". (Marcelo D2 - 1967).
Crescemos ouvindo aquela história de que homem não chora, me recordo como se fosse hoje do meu pai dizendo: "engole o choro menino". Cresci, e percebo cada vez mais que os homens choram, e como choram. Isso não o faz menos "homem" do que os outros.
A vida da gente se desenrola em meio a um turbilhão de sentimentos e emoções, eu costumo dizer que nada como um dia após o outro ou seja, o amanhã sempre pode ser muito melhor do que hoje. Gonçalves Dias dizia que viver é lutar, eu me arrisco a dizer que viver é sofrer... sim é isso mesmo, não que a vida seja apenas isso mas o sofrimento faz parte do cotidiano. Hoje acordei com um sentimento de frustração, de incertezas na vida, de medo e por ai vai...
Quando me recordo das palavras de meu pai, chego a conclusão que estou "me tornando homem", sim me considero cada vez mais homem por causa desses sentimentos, por causa dessas dores... ao me olhar no espelho vejo alguém inacabado, confuso, em busca de respostas, mas com uma certeza enorme de que a vida se constrói e reconstrói no desenrolar dessas questões que por vez ou outra tomam conta de nossas mentes.
Tenho olhado para a vida com outros olhos... tenho vivido cada dia como se fosse o último... tenho me doado mais para a minha família... tenho descoberto que ser "crente" é bom... Gostaria de convidar você meu caro leitor a olhar para a vida com os olhos que ela precisa ser vista assim sendo, releve... construa... recomeçe... corra atrás.