quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Meu Sonho...rsrsrsr

A Plenitude da Religião

A palavra religião tomou um sentido pejorativo nos meios religiosos. Parece uma redundância, mas é exatamente isso. A palavra tornou-se sinônimo de intolerância, legalismo e hipocrisia. Na verdade, penso ser necessário resgatarmos o sentido da palavra que quer dizer religar. Dentro do cristianismo essa palavra sempre teve em mente a religação da relação do homem com Deus, que desde Adão tinha sido cortada, mas a religação deve ser plena, ver o homem por completo. Coloco então os seguintes aspectos:

1 - A Religação do Indivíduo Consigo Mesmo.

O pior divórcio que pode existir é dentro de nós mesmos. Quando ficamos divididos a ponto de perdermos a nossa identidade, quando achamos que devemos viver para a expectativas de grupos sociais, de pessoas e nos tornamos algo que não gostaríamos de ser, que, aliás, não somos. É quando nos tornamos um projeto fora de nós, mas dentro estamos divorciados com essa imagem. Foi Camus que escreveu que quando uma mentira é contada repetidas vezes torna-se verdade até para quem conta. Pura verdade. Precisamos de uma experiência que nos leve a religar nossa vida a partir de dentro de nós. O medo das ambigüidades, dos paradoxos, da angústia de ter de lidar com a ausência de respostas fazem parte desse processo. Rubem Alves foi perguntado uma vez como ele se definia, mas respondeu que não se definia, pois definir é delimitar e delimitar é pôr limites ao que somos, uma vez que nós, enquanto indivíduos, temos que estar abertos a nos descobrir e redescobrir diariamente. Eu não sou a mesma pessoa de anos atrás, também não serei a mesma pessoa de hoje daqui a alguns anos, mas essa mudança não deve ser somente em conseqüência de fatores externos, como novas ideologias de vida que surgem, mas também pelo senso crítica da vida e das expectativas que as aspirações e as experiências pessoais nos trazem.

2 - A Religação com o Outro.

Só podemos ser algo diante do outro. É no outro que também encontramos a nossa identidade. Vivemos tempos de medo dos relacionamentos. Bauman comenta num lindo livro seu chamado Amor Líquido que foi feita uma experiência com ratos onde um fio desencapado era colocado num queijo dentro da gaiola. O rato quando sentia fome mordia o queijo e recebia um pequeno choque, mas como a fome aumentava, ele tornava a morder o queijo e a sentir o choque. Sentida desejo – causado pela fome - e repulsa - causada pelo choque -, quando a repulsa e o desejo atingiram seu limite o rato teve uma forte convulsão. Vivemos o mesmo em relação aos relacionamentos. Por vivermos numa sociedade que incentiva a competição, perdemos gradativamente a solidariedade, a reciprocidade, a camaradagem. Passamos a viver tendo o outro como trampolim ou obstáculo ao sucesso. Temos pessoas isoladas e amedrontadas, mas também carentes de afetividade e aprofundamento das relações. Surge a urgência da religação com o nosso próximo.

3 - A Religação com a Vida


Nossa sociedade nos ensina a competição e o sucesso profissional, junto com os louros sociais que recebemos ao alcançá-los. Passamos a olhar a vida somente deste ângulo, mas a vida é mais. A realização com a vida inclui família, amigos, profissão, deveres, prazeres, enfim, devemos conhecer a vida e vivê-la, buscar a sua plenitude. Jesus disse para não andarmos ansiosos com o que iremos comer ou vestir, porque a vida é maior do que essas coisas.

4 - A Religação com Deus

Jesus disse para não orarmos como os hipócritas que oram nas praças buscando admiração dos outros, mas no quarto, em secreto, com o nosso Pai. Ir além dos ritos das instituições religiosas, da vaidade eclesiástica e do dogmatismo que tornam as instituições iracundas e vazias. Graças a Deus, a fé é algo que pode e deve ser vivida na esfera individual. Muitas vezes repetimos ritos e dogmas somente porque nos foi imposto como algo sagrado, mas podemos ver na vida de Jesus uma pessoa resistente a esses legalismos e ritos vazios. Ele não deixava de praticar seus ritos, mas negava-se a viver sua espiritualidade à partir do dogma, mas fez da vida e do amor seu rito maior, ainda que tivesse seus dogmas. O Pai nos recebe, só devemos ser gratos por isso e ir a ele sendo nós mesmos, para uma relação verdadeira e duradoura.

NOTA:

Temos acompanhado come esperança o estado dominando o complexo do Alemão e a cada apreensão de drogas, armas e traficantes, percebemos uma fagulha de esperança na população. É hora de religarmos aquelas pessoas excluídas à sociedade levando não somente o domínio da força policial - que é de suma importância para manter a paz -, mas também deve haver uma religação daquela comunidade à cultura, educação, saúde e trabalho. Esperamos que a sociedade fique atenta isso, pois caso não aconteça, todo esse esforço terá sido em vão, mas creio que pode ser um novo tempo.

A Reforma Protestante e o imenso equívoco evangélico

Está chegando aquele que deveria ser o dia mais importante para o segmento religioso evangélico, embora não seja nem lembrado como um dia de festa. Dia 31 de outubro é comemorado o dia em que o monge Martinho Lutero pregou as suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, protestando contra os desmandos da Igreja Católica do século XVI.
Embora seja um dia em que se deveria festejar com toda sorte de comemorações, o dia que fecha o mês de outubro, mesmo entre os ditos protestantes, só consegue ser um dia de importação de cultura estadunidense, para que o chamado "dia das bruxas" traga suas brincadeiras, escondendo a potência do evento que mexeu radicalmente com as estruturas sociais do Ocidente, contribuindo também para instaurar a chamada Modernidade.
A pergunta que fica, porém, é: Por que a Reforma não tem nem de longe o efeito que deveria ter no segmento evangélico brasileiro? Simples; porque o povo evangélico brasileiro não é protestante. Ao contrário do que se pensa, os evangélicos são mais católicos do que em última instância pensam ser. Para provar tal tese, além de mostrar que o dia 31 de outubro não será dia de festa - a não ser por razões eleitorais, visto que teremos eleições presidenciais - intento descrever em poucas linhas as diferenças e semelhanças entre ser protestante e pensar ser protestante.
O tripé da Reforma, como é sabido, é a junção do sola fide com o sola gratia e o sola scriptura. Isto é, salvação somente pela fé, somente por graça e somente através das Escrituras Sagradas. E, para radicalizar ainda mais a situação, Lutero, bebendo na sabedoria aristotélica, apregoa o chamado "sacerdócio universal de todo crente". Isso sim foi considerado protestar no século XVI, pois a universalização do sacerdócio traria, sem titubeios, a queda da hierarquia da cúria romana.
O problema é: será que os cristãos entendem a dimensão de tais propostas luteranas? Penso que não e até entendo, pois o próprio Lutero tentou voltar atrás, uma vez que percebeu que ser protestante era algo para muito além do que ele mesmo sonhara em princípio. Mas a coisa já estava feita e não tinha mais como o monge revoltado voltar atrás, exceto construindo um protestantismo com fortes bases católicas, como foi mesmo o que veio a acontecer, descontentando outros reformadores, como Calvino, Melanchton e Zwinglio.
Analisando com cuidado as implicações das máximas que permearam o nascimento do protestantismo, percebemos que o catolicismo medieval ainda é forte nas nossas relações de evangélicos. Embora seja uma tese para gerar debates até acalorados, ninguém pode negar que somos mais dependentes da hierarquia sacerdotal do que nunca. Afinal, até na hora de exercermos nossa cidadania delegamos nossas decisões democráticas aos líderes - muitas vezes mal intencionados - de nossas comunidades de fé. A postura do pastor Silas Malafaia, tentando colocar "cabresto" no voto de milhares de evangélicos assembleianos - e conseguindo inicialmente até algum sucesso - é uma prova cabal disso. A postura de milhares - quiçá milhões - de evangélicos que sacralizam a voz do pastor como se fosse a própria voz de Deus, mesmo quando o pastor fala uma série de besteiras refutadas pela Teologia, pela Exegese, pela História e pela Arqueologia, é outra prova dessa permanência nas "trevas" do catolicismo retrógrado medieval.
Mas ser protestante é outra coisa; é saber que é a fé em Deus - e não a fé nas correntes intermináveis das igrejas evangélicas - que tem o poder de derramar a graça que redime. É saber que é a graça deste mesmo Deus, entregando Jesus para todos - e não as falsas promessas pastorais, que só são compreendidas numa confissão positiva adoecida - que realmente salva o ser humano. É saber que é Bíblia - e não a leitura interesseira que muitos líderes fazem dela - que realmente alimenta e edifica os indivíduos, assemelhando-os ao Cristo que a todos recebe sem distinção. É saber que sou eu - e não um pastor aproveitador qualquer - que tenho o poder de ser sacerdote de mim mesmo diante de Deus. Isso é que é, stricto sensu, o protestantismo.
Era isso que Martinho Lutero queria em princípio e que devemos querer agora. Afinal, a Bíblia é protesto e profecia, enquanto denúncia social, pura. Sem entendermos isso, não nos restará nada além de, no domingo próximo, comemorarmos mais uma eleição, convidando o vizinho evangélico para uma festa de halloween.

"Cristianismo: a melhor possibilidade de se atualizar Marx"

Concordando ou não com o seu posicionamento ideológico, todos sabemos que é inegável a enorme importância da contribuição de Karl Marx para o pensamento crítico contemporâneo nas mais diversas áreas do conhecimento. Tanto na Economia quanto na Filosofia, na História e nas Ciências Sociais, as ideias marxianas conseguem ainda encontrar espaço privilegiado nos debates acadêmicos e em outras rodas em que se interessam por pensar o modus operandi do sistema capitalista selvagem em que nos metemos. Em épocas de crises econômicas, como a que atingiu o mundo em 2009, isso fica ainda mais evidenciado e a obra de Marx é acessada até vorazmente.
No entanto, excetuando-se aquela que seria conhecida como a Teologia da Libertação, a única esfera onde o tal pensamento marxiano sempre pareceu não encontrar muita aceitação foi a esfera religiosa. Talvez por culpa do próprio Marx, que - não atentando para o forte poder da religião na mobilização das massas contra a opressão do Estado e do capitalismo e para o poder de sociação de algumas denominações religiosas em relação a grupos socialmente excluídos - taxou a religião como simplesmente "o ópio do povo", pois algo que só faria alienar os grupos de explorados, que não lutariam contra os seus dominadores, por conta de algo que seria para Marx um "posicionamento castrador" inerente à religiosidade.
Com a mesma ideologia de Karl Marx, mas com um olhar mais atento para as religiões e sua inegável contribuição na luta contra a opressão, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo e António Gramsci apresentaram textos onde a religiosidade fugia à afirmativa em princípio bastante reducionista que Marx legou à humanidade. A religião veio então a ser apresentada como algo para além de um simples "anestésico" para os dramas de uma humanidade permeada por desigualdades de toda natureza.
Ao arriscarem uma comparação entre o comunismo e o cristianismo primitivo, tais autores conseguiram fazer a aproximação que Marx não conseguira e possibilitaram, por esse gesto bastante solidário e delicado, uma abertura que fomentaria o pensamento marxiano como praticamente sinônimo do cristianismo strictu sensu. Se num âmbito mais latu o cristianismo passou nos últimos anos a ser uma faceta religiosa do capitalismo alienador - vide a "Teologia da Prosperidade" neopentecostal -, o tal cristianismo strictu sensu, o chamado cristianismo primitivo, conseguiu ser exatamente o que Karl Marx apregoaria como sonho para uma humanidade realmente humana, pois comunista: todos teriam tudo em comum e não haveria quem escravizasse os outros, numa hierarquização opressora, pois todos lutariam pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo.
Embora países ocidentais hegemônicos tenham fomentado uma luta entre o bem e o mal, taxando o comunismo de mal, já que eles, os hegemônicos capitalistas, seriam "do bem", a lógica do individualismo e da luta de todos contra todos no sistema de acumulação e de propriedade privada dos meios de produção só fez gerar algo que nunca esteve tão distante da cosmovisão do Cristo. Portanto, se a tal apelação para a esfera espiritual pudesse ser acessada para a justificativa de algo que é totalmente terreno, o capitalismo estaria muito mais distante do ideal cristão do que o comunismo, pois este último seria na verdade a própria expressão da ética do Cristo: para cada um conforme a sua necessidade e de cada um conforme a sua capacidade. Os que podem mais, contribuem mais e o que necessitam mais, recebem mais. Nada mais cristão.
O que vemos, pois, é que, embora possa parecer contraditória e totalmente descabida, a máxima que dá título a este escrito consegue se fazer justificar. Afinal, se o verdadeiro cristianismo é uma religião ao redor de uma mesa, onde todos podem ter o mesmo pedaço de pão, se tornando cumpanis - do latim, "com quem você come o pão" -, quem melhor do que os comunistas para nos ensinar o abrasileiramento da palavra companheiro?

Que tipo de evangelho fará diferença nestes dias?

Tenho trabalhado, pregado, ensinado, debatido e posto este tema em constante efervescência por onde tenho andado.
Que tipo de evangelho fará realmente a grande diferença nestes dias, tão difíceis, de questionamentos novos e antigos.
Digo isso porque recentemente fui perguntado por um amigo, querendo saber minha opinião sobre o alinhamento dos planetas, que segundo a ciência, ocorrerá em 2012. Contudo, fui questionado por um adolescente (minha sobrinha Lara) sobre bebidas e tatuagens. Temas novos e antigos, que povoam, com naturalidade, a mente de todos.
Que evangelho responderá a estes anseios, que tipo de pregação se somará às muitas respostas possíveis?
Creio que não passou o tempo de dizer a verdade. Ela é. Ela sempre será. Jesus afirmou, categoricamente, ser a verdade (João 14.6). Isso indica que não temos uma segunda opção, Ele não é, nem jamais será uma das verdades. Portanto, se queríamos uma resposta sobre o que falar, falemos a verdade, e as verdades de Deus precisam ser conhecidas de todos.
A segunda questão, é que tipo de Igreja, as pessoas que procuram a verdade estão desejando.
Aí sim, estou cada mais convencido que as pessoas estão cansadas do modelo religioso de ser igreja, que há dezenas de gerações povoam o universo imaginário de tantos.
Aquela igreja de todos os domingos, aquela igreja de atividades marcadas pelos seus departamentos, aquela igreja em que as pessoas brigam porque não vêem ao ensaio e outras brigam porque erraram no ensaio, e outras brigam porque querem ser as "gerentes" universais do grande "berçário" que tornou-se algumas congregações, esta igreja, ninguém mais deseja, pelo menos ninguém que queira ter suas perguntas respondidas com sinceridade.
Igreja precisa, hoje e cada vez mais, ser humanizada. Precisa olhar para as pessoas, para os pequenos encontros, para os relacionamentos mais próximos e relevantes. Comunidades precisam abrir seus templos, não somente para cultos, mas para descobrirem o prazer de servir as pessoas, através dos trabalhos comunitários.
A igreja de hoje precisa descobrir a alegria da sala de estar de seus membros, onde regados a um chá com torradas, é possível falar das lutas da vida, sem serem travados pelo relógio apressado de uma liturgia fria.
As pessoas estão procurando uma igreja, formada por gente, capaz de ser gente para quem precisa de gente. A cada dia mais os templos vão se tornando apenas um aliado, uma ferramenta, e nada mais.
O evangelho que as pessoas precisam e que fará toda a diferença em suas vidas, fala exatamente disso, de vida. Não fala de dinheiro, de bens, de bençãos, nem de trocas com Deus, mas sim de vida, e vida em abundância.
As igrejas que as pessoas desejam é pintada com cor de gente, decorada por relacionamentos fraternos e cada vez mais pessoais. Nem precisa ser no templo, pode ser na mesa de uma cafeteria qualquer da cidade, no fim da tarde, num espaço pequeno, mas aconchegante, capaz de promover o que mais faz uma igreja saudável: seus relacionamentos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

To cansado de ser manipulado pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista

Eu era ainda um pré-adolescente quando pela primeira vez na vida ouvi falar de política no púlpito de uma igreja evangélica. A mim, que ainda não votava, isso nem deveria ter atingido tanto, mas confesso que o estado de medo pregado por aquele pastor me fez pensar que tudo aquilo era verdade.
Pelas palavras do ministro evangélico se o candidato socialista ganhasse a eleição, vencendo Fernando Collor, nossas igrejas seriam fechadas, os cristãos seriam perseguidos e não haveria mais a liberdade de adorarmos ao nosso Senhor neste país. Aquilo me meteu medo e me fez odiar o tal homem barbudo que tinha um apelido demasiado curioso: Lula.
Mas aconteceu de o sujeito de barba ganhar eleições, depois de perder três vezes, sendo que as igrejas não foram fechadas, os cristãos não sofreram perseguição do Estado e ninguém impediu nossos cultos.
Com o tempo cresci, aprendi muitas coisas, me tornei cientista político e votei várias vezes, vendo aquele discurso, que não poderia ser chamado de outra coisa a não ser "terrorismo eleitoral religioso", desaparecer por uns anos. Pelo menos até a fala da "namoradinha do Brasil", a atriz Regina Duarte, que apareceu numa propaganda eleitoral se dizendo "com medo da eleição do Lula". Mas era parte de uma classe artística de direita e não algo de cunho religioso. Não me atingiu tanto, pois.
A religião viria a se mostrar bastante forte tempos depois, com uma eleição para o Senado Federal. Numa que já parecia peleja ganha, a candidata Jandira Feghali, do PC do B, perdeu uma eleição na véspera - tinha a vitória garantida por pesquisas até dois dias antes do pleito - para Francisco Dornelles, do PP, que utilizou-se de um fato social importantíssimo - a religião - para fazer o mesmo terrorismo que meu pastor fizera anos antes. Se Jandira fosse eleita, dizia um comunicado que Dornelles pagou para ser distribuído pelas igrejas do interior do Estado do Rio de Janeiro, o aborto seria liberado, teríamos uma "pouca vergonha com casamentos gays" e a liberdade de fé seria cerceada. Aquela eleição, já tida como ganha, se tornou uma derrota histórica para a candidata do PC do B. Sim, a religião se provava detentora de uma força descomunal.
As eleições que se aproximam também têm conseguido se valer do fator religião. Um pastor evangélico, se dizendo "defensor da moral e dos bons valores cristãos", decidiu espalhar um vídeo onde diz que o voto no PT será um voto pela liberação do aborto, pela união civil de homossexuais e pela provocação da ira de Deus, que visitaria nosso país com grande furor divino, pois ficaria irritado com a iniquidade do povo. O vídeo fez e faz sucesso e não são poucos os apoiadores de tal mensagem, pessoas que fazem de tudo para que aquele comunicado chegue "a todos os evangélicos e pessoas de bem do país". Mas a empreitada parece repetir as mentiras do passado.
É importantíssimo dizer que a questão versa sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), que, para muito além de assuntos como as discussões acerca do aborto e união civil de homossexuais, é uma empreitada pela instauração de direitos humanos de toda natureza.
Importante também lembrar que a luta dos homossexuais pela união civil de pessoas do mesmo sexo não é algo partidário, mas uma busca de um movimento social como qualquer outro. Incomoda alguns mais conservadores e isso já era de se esperar, todavia, essa luta, pelo que vemos e entendemos de movimentos sociais, não deixará de existir se um ou outro partido tomar o poder. Se qualquer um de nós perguntar aos homossexuais se eles deixariam de lutar por esse objetivo a depender do partido que venha a vencer as eleições, a resposta será um categórico NÃO. Portanto, falar que um partido no governo seria algo a fomentar isso, não é verdade, pois o pleito de homossexuais estará em pauta de luta ganhe o partido que ganhar.
Do mesmo modo, a luta das mulheres, sobretudo as do movimento feminista, pelo direito ao aborto não será deixada de lado por causa deste ou daquele partido vencedor da eleição.
Outra questão curiosa é o fato de que a ira de Deus - que foi "profetizada" para o caso de o país se deixar levar por uma eleição num partido como o PT - não se acendeu sobre a nação por conta de um grupo de pastores, participantes do mensalão do DEM, em Brasília, que, após ganharem propina por seus serviços ao governador Arruda, oraram para agradecer a Deus pelo crime! Interessantíssimo lembrar que nenhum dos pastores que agora fazem "terrorismo eleitoral religioso" lembrou de falar de "iniquidade" ou "ira divina" naquela ocasião. Seria porque eram pastores roubando e isso poderia ser por Deus desculpado? Claro que não. As razões parecem ser outras e bem mais profundas.
A verdade nua e crua é que os pastores que propagam esse alarde nada mais fazem do que impedir um processo democrático, obrigando suas ovelhas a votarem num candidato, e fazendo valer o que a história do país apresenta como "voto de cabresto". Votos que saem de verdadeiros "currais eleitorais" em que acabaram, infelizmente, por se tornar as nossas igrejas ditas protestantes.
Não, nossas igrejas em sua maioria não são protestantes; são evangélicas e só. Mas ser evangélico hoje em dia não significa muita coisa. Qualquer elemento mal intencionado vende discos aos borbotões - e com músicas de péssima qualidade, diga-se - com o rótulo bastante vendável de "evangélico". Por conta disso, envergonhado de me dizer evangélico, passei a optar pela nomenclatura protestante.
Infelizmente, nossas igrejas estão abarrotadas de gente facilmente manipulável. Todas ávidas por votar sem qualquer liberdade, desde que seja no "candidato do pastor". Infelizmente, também, nossa liberdade protestante foi cerceada por evangélicos que retornaram às práticas medievais, nada mais fazendo do que adoecer o povo com alienações de toda natureza. Mas protestantismo não é isso, sabemos. Ou, pelo menos, deveríamos saber e ensinar.
Ser protestante e bom pastor de fato, profetizando a verdade e a justiça divinas, é ensinar ao povo sobre as razões que fizeram o Eike Batista nascer bilionário (pesquisem a história do pai dele, Eliezer Batista, presidente da Vale do Rio Doce quando esta ainda era uma empresa estatal), é fazer o povo entender a razão de o Daniel Dantas não ser preso jamais, é contar a história de escravismo nas fazendas de Francisco Mendes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ensinando ao povo sobre as razões que levam o mesmo Mendes a votar contra a Lei da Ficha Limpa. Fora disso, não há justiça; não há profecia. Há alienação e mentira travestidas de verdade revelada, mas que se mostram falácias as mais grosseiras.
Oxalá Deus nos escute a oração, dando ao nosso povo pastores segundo o Seu coração e fazendo com que nossa gente queira ser vocacionada àquilo para o que Ele mesmo nos chamou; a verdadeira liberdade.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ELEIÇOES 2010: PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL

A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamosum povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.
Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas:
(1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado;
(2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as ideias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.
1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade.
Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil.
Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?
2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?).
Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós.
Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniquidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniquidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!
3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados.
Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade.
Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.
4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica.
Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins , citado por W. Shurden).
Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do Estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o Estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.
5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”.
Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.
Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Tenho mais fama que Deus..."

Não amigos, a frase acima nao é minha, mas sim do "astro" adolescente conhecido como Justin Bieber. Esse garoto recentemente disse em entrevista a um programa da MTV americana que ele é mais famoso do que Deus. Fiquei pensando aonde vamos parar? Viajei no tempo e me lembrei de algumas pessoas e fatos que também pensaram e agiram como esse garoto.
Creio que a culpa é nossa aliás, nao minha e nem sua meu caro leitor, mas daqueles que colocaram esse menino num pedestal. Fazemos parte de uma cultura onde ter um rostinho bonito e agradar a massa faz parte do show, aliás do grande reality show que se tornou a vida. Nos esquecemos daqueles que estao a marcê do nosso governo, daqueles que estao passando fome, daqueles que nao tem onde morar... e seguimos (lembra-se do twitter) e "adoramos" pessoas vazias e sem a menor condição de estar na posição que estão.
Confesso que tive pena do garoto, parece-me que ele nao está sendo bem orientado, nao sei se pelos pais e/ou empresários... mas falta orientação a esse menino.
Que Deus tenha misericórida de nós e nos ensine a ter como exemplos e ídolos aqueles que realmente tem condições de serem.

Ainda bem que não é só eu que pensa assim !

Pastor do Conselho de Doutrina da Assembleia de Deus censura campanha de Silas Malafaia


O Pr. Carlos Roberto Silva, vice presidente executivo da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo e Membro do Conselho de Doutrina da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, condenou a ‘Campanha da Semente de R$ 1.000,00′ do Pr. Silas Malafaia (foto) e do Pr. norte americano Mike Murdock lançada em seu programa de TV

O Pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia no último dia 03 de Abril em parceria com o Pastor da Teologia da Prosperidade, o norte americano Mike Murdock lançou em seu programa um novo desafio chamado: Clube de 1 milhão de Almas, com o objetivo de evangelizar, mantendo os programas de televisão e realizando cruzadas e congressos.

Para fazer parte do clube, é preciso plantar uma ‘semente’ voluntária de R$ 1.000,00 e como agradecimento quem ceifar receberá o livro 1001 Chaves de Sabedoria, de Mike Murdock e também um certificado do clube como descrito no hot site da campanha, que inclusive possui um contador de almas conquistadas.
Mas este projeto não está sendo visto com bons olhos pela maioria dos líderes da Assembleia de Deus.

O Pr. Carlos Roberto Silva, vice-presidente executivo da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo e membro do Conselho de Doutrina da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, condena a ‘Campanha da Semente de R$ 1.000,00’ do Pr. Silas Malafaia e do Pr. norte americano Mike Murdock lançada em seu programa de TV.

‘Isso é no mínimo lamentável, vergonhoso e desonroso para a nossa denominação. O Pr. Silas Malafaia é hoje um ícone, talvez o único dessa estirpe em mídia nacional, pertencente à nossa querida Assembleia de Deus. A função por ele exercida no mais alto fórum da denominação assembleiana, bem como sua projeção midiática, faz com que ele seja copiado e seguido por muitos em suas peripécias doutrinárias. A carroça está descendo ladeira abaixo, em alta velocidade, sem freio e o pior de tudo: na banguela! Que Deus tenha misericórdia de nós!’ disse o Pr. Carlos Roberto.

Já o Pr. Guedes, auxiliar da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e Professor de Teologia da FAESP – Faculdade Evangélica de São Paulo, relata as implicações que a igreja sofre com campanhas como esta.

‘Primeiro, as pessoas passam a acreditar que com a “semente” lançada, estarão isentas de pregarem o evangelho, porque já fizeram a sua parte. Ou seja, repassaram essa responsabilidade ao evangelista da tv; Segundo, caem na mais nova falácia: semente e não oferta (ou semente como oferta). Ora, todos sabemos que a oferta é voluntária e não se espera retorno por doá-la, mas a semente tem em si a linguagem da colheita do fruto, logo, quem oferta não espera receber de Deus e nem O cobra, mas quem lança sementes terá, segundo essa teologia, o direito de cobrar de Deus os desdobramentos de seu plantio; Terceiro, muitos cristãos incautos que nunca contribuíram com suas igrejas locais, vêem-se “constrangidos”, “movidos” a contribuírem com o ministério do “homem de Deus”, visto que ele é o homem que Deus levantou para essa tarefa’, e completou: ‘esse tipo de teologia envenena nossa sã doutrina, causando danos em nossos posicionamentos doutrinários e teológicos. É elitista, discriminatória e põe Deus em uma tremenda “saia justa”, pois somente quem tem R$ 1.000,00 é que pode ser abençoado’.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Muito boa a letra dessa música



Leve em conta apenas a letra da música, "algumas" imagens voce pode desconsiderar.

SOLA GRATIA

É fácil falar sobre a graça. É só por ela que falamos, vivemos, existimos – A afirmação de Lutero foi reduzida a salvação. Como Paulo ele compreendeu que não há outro meio de sermos reconciliados com Deus. A graça salvadora é aquela que pela fé recebemos como presente de Deus para termos acesso a glória. A graça sustentadora é aquela que pela bondade de Deus é nos ofertada como a suficiência para suportarmos os “espinhos” na carne e ouvirmos em silencio a doce voz do Senhor, “a minha graça te basta”. Sola gratia – somente a graça!

SOLA FIDE

O impacto dessa afirmação é muito diferente hoje da do século XVI, quando o reformador a sustentou como o fundamento de suas 95 teses afixadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517. Dizer “sola fide – só a fé” na Alemanha de Lutero era ecoar por toda a Europa que toda a tradição acumulada por séculos se constituía desvio do verdadeiro evangelho – e era. Ousadia e determinação acompanharam Lutero em suas bravas defesa da fé. Fé esta que o iluminou ao ler o texto acima e, concluir: é pela fé que somos justificados. Em tempos de “evangelhos anátemas”, de “mercantilização da fé”, de “apóstolos e bispos”, de “catedrais suntuosas”, de “humanização da fé” e de relativismo ético em nome de prosperidade financeira, faz-se necessário reafirmar: Sola Fide – somente a fé.

Ratio Essendi

A filósofa alemã contemporânea, Gertrude Stein, criou o conceito de nadez. Esta sensação de vazio que a maior parte das pessoas tem. Elas não têm grandes pecados do que se arrepender, não tem grandes manchas na sua vida, mas elas também não têm nada a temer, a vida delas é absolutamente incolor e sofrem de nadez, de nada, não tem nada. Em Cristo, esse conceito, desaparece, pois, Nele encontramos não só o enchimento que precisamos, como também, o “ratio essendi – a razão de ser”. Nossa vida tem sentido, nossos dias tem propósitos – encontramos nele a razão de viver.

Os Gigantes nossos de cada dia

Israel estava em guerra. Nenhuma novidade. Para se apoderar de terras prometidas e permanecer nelas, Israel se especializou na arte da guerra. Nesta peleja, no entanto, havia um fator novo, que podemos chamar de uma GRANDE novidade: um guerreiro de tamanho desproporcional aos soldados da época – um gigante. Golias era o seu nome. Entrou para a história da humanidade como a possibilidade real do menor vencer o maior, do pequeno sobrepujar o grande, do coração derrotar a razão. Tornou-se fonte de inspiração para sonhadores. Foi exemplo de estratagema militar de diversos generais para motivação de seus exércitos. Mas, esta peça, não tem um único personagem, não é um monólogo. São vários atores no palco. Dois são principais: o gigante Golias e Davi, até então, o filho caçula, pastor de ovelhas e desprezado entre os filhos de Jessé. Estes dois homens permanecem no imaginário como o gigante que foi ao chão, derrotado e o rapazinho que o jogou ao chão, desafiando-o e o derrotando. Alguém disse, a partir dessa experiência, que gigantes existem para serem vencidos. Lembro-me da cena de um filme onde um soldado inexperiente enfrentava sua primeira batalha em guerra e hesitou ao disparar sua arma e atingir o soldado inimigo que se aproximava. Após o incidente, já no QG, seu comandante o indaga sobre o acontecido e, o soldado responde, dizendo que seus princípios religiosos o proibiam de matar. O comandante, áspero e determinado, olha para o seu subordinado e dispara: “Soldado, estamos em guerra, e na guerra tudo é permitido. Ou você vive, ou morre”. Fica claro que o autor da história provocava o puritanismo sulista americano e as angústias da alma diante dos grandes dilemas da guerra. Mas, a nós, cabe a constatação possível: estamos em guerra! E, muitas vezes, nossos adversários são maiores que nossa capacidade até mesmo de lutar. São gigantes que se levantam com o fim único de destruir-nos. Há inúmeras figuras bíblias que apontam para a batalha que vive os cristãos e a igreja. Batalhas espirituais da carne contra o espírito que por vezes torna a carne e seus desejos verdadeiros gigantes (Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro. Gal. 5:17) Batalhas mentais que procuram cativar nossos pensamentos nos valores que são da terra e não do alto (Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Col. 3.2). Há batalhas emocionais que minam a força para viver. (No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. (I Jo 4:18). Como nos ensinou Davi, na força do Senhor, com coragem e princípios corretos, podemos lutar e vencer todos os gigantes da nossa vida.

Prioridade

Estabelecer prioridades não é tarefa fácil. A rigor, prioridade é a primeira e única opção. O substantivo pode indicar preferência: o direito de passar à frente dos outros; ou mesmo, a qualidade do que está em primeiro lugar, a prioridade de um acontecimento. O que acontece é que nos perdemos exatamente no não estabelecimento de prioridade e usurpamos o direito nosso de administrar bem nossa agenda. A tirania do urgente, em detrimento do prioritário sufoca-nos e tira, portanto, nosso ‘gás’ para chegarmos ao fim nas metas estabelecidas. Quando priorizamos o urgente renegamos a segundo plano o importante. Importante é tudo aquilo que é relevante para a meta a ser atingida. Enquanto urgente é tudo aquilo que tem um prazo específico e, que por sinal, esta por expirar. Alguém já disse que o tempo é o recurso mais democrático que existe: independentemente do nível social, econômico, intelectual, da religião, da cultura, todos, sem exceção, tem 24 horas, nem um segundo a mais ou a menos. E, quando reclamos que não dispomos de tempo, a verdade é que dispomos de todo o tempo que existe. Quando o evangelista Marcos registrou de forma surpreendente suas impressões acerca da pessoa e da atividade de Cristo, ele disse: “Ele tudo faz bem”. Como nenhum outro, Cristo é o nosso modelo. Uma leitura direcionada pelo o texto bíblico revelará a prioridade de Jesus. Ele disse: “Meu Pai trabalha até agora e eu também”. Quando Cristo afirmava que sua missão era cumprir a vontade do seu Pai, ele estabelecia para si mesmo e para seus ouvintes, discípulos ou não, sua prioridade. Isso era importante para Ele. Logo, tudo o mais era reduzido a um nível menor. É pontual que Cristo era consciente de sua missão, inclusive, do seu fim numa cruz. Digamos, que sabedor do caminho da cruz, essa era sua meta, essa era a vontade do Pai, ele estabeleceu suas tarefas e as separou pelo tempo que tinha para realizá-las. É fácil observar no Novo Testamento ações direcionadas para esse fim, quando ele chama seus discípulos, quando os ensina, quando os previne de sua partida, quando retira deles uma posição em relação a sua própria pessoa – seria uma avaliação da meta. Até mesmo geograficamente, a prioridade de Jesus se faz notória. Não sem propósito ele separou a Palestina em áreas de atuação, até chegar a Jerusalém. Penso que devemos olhar para Cristo, quando estabelecermos nossa prioridade. Fugindo da urgência, desenvolvendo a agenda da importância e, sem dúvida, buscando em primeiro lugar o seu Reino e a sua justiça, crendo, que o mais nos serão acrescentados. Essa é uma possível e necessária disciplina bíblica para o crescimento à estatura do Filho de Deus. Crescendo Nele, olhando para Ele!

Amigos, sem eles eu nao sou nada

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto oamor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, quetivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressemtodos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meusamigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.Mas, porque não os procuro com assiduidade, nãoposso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu oro pela vida deles.E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que aroda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morandocomigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meusamigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saberque são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Onde nós vamos parar?

Já falei aqui, outras vezes. Preocupo-me, sinceramente, com o tipo de "ministério" que acha que os fins justificam os meios.
Assim tenho visto alguns, famosos ou não, espalhados, e sendo divulgados por aí.
Sei que tem gente que gosta. Sei de alguns que falarão que não devemos lutar contra nós mesmos. Entretanto, precisamos saber se contra o que lutamos, são realmente nossos.
Será que o evangelho que eles pregam é dos nossos?
Alguns meses atrás, o Silas Malafaia, se desligou da Convenção das Assembleias de Deus. A mesma que até ano passado ele concorreu a cargos eletivos da convenção, apoiando "politicamente" um outro candidato, que não esse que venceu.
Agora, o Silas Malafaia quer uma convenção somente para ele.
Segundo o tal, todas as igrejas que aparecem o nome "Vitoria em Cristo", pode tirar imediatamente, "se não fizer por bem, fará por mal".
Lindo! Puro evangelho!
E ainda tem gente que vai atrás.

A Relevancia que se faz necessária

Cheguei a Ipatinga tem quase um ano. Estou vivendo uma nova experiência pastoral, numa região diferente e distante da qual vivi toda a minha vida.
Tem sido desafiador, mas penso que é uma oportunidade para ser relevante, numa geração que precisa, mas se esquiva de Deus. Isso mesmo estando longe do ministério.
Ser relevante é um desafio para a Igreja desse tempo. Por muitos anos ficamos guardados dentro de nossos templos, com programas infindáveis, nos escondendo e impedindo que fossemos diferentes. Conseguimos, por muito tempo, em muitos lugares, ser apenas estranhos e esquisitos.
Está no tempo de sairmos do templo. Está no tempo de voltarmos nossos olhos para as ruas, para as calçadas, para os nao cristãos, de um modo diferente do que temos feito até aqui.
Ser relevante é um desafio para os pastores desse tempo. As pessoas não suportam mais suas teologias, faladas envelopadas em togas, chatérrimas, muito bem escritas, mas distante das pessoas.
Ë preciso que eles entendam que os tempos mudaram. Não podemos comunicar o evangelho do mesmo modo que fazíamos há décadas atrás.
Ser relevante é um desafio para o crente, como indivíduo. Chega dele ficar preocupado com coisas irrelevantes e sem sentido. Enquanto alguns crentes fazem questao de cantar hinos, e outros de cantar apenas cânticos, milhões deles não conseguem entender que nem um, nem outro, é A expressão de adoração.
Crentes precisam compreender que cada tem um ministério. Seja dentro da Igreja, ou fora dela. Aliás, mais precisamente fora dela.
Ser relevante é enxergar o mundo e vê-lo como Deus vê. Se fizermos isso teremos a possibilidade de encanta-lo com uma mensagem poderosa de transformação.

Ainda sobre a Copa...

Brasil 3 a 1 na Costa do Marfim. Todo mundo ansioso para ouvir o "técnico" da seleção canarinho.Um repórter, gente boa por sinal, Alex Escobar, discorda do que o dono do escrete está falando, mas meneia a cabeça, falando ao celular com um outro repórter.

O seu Dunga para a entrevista, e faz aquela pergunta que bandido, bêbado, ou marrento faz às pessoas quando elas olham atravessado: "qual é? Algum problema?".

Claro que o jornalista não ia travar ali um bate boca com o treinador, diante das câmeras do mundo inteiro. Bem, pelo menos não o Alex Escobar, porque se fosse o Kajuru, ele no mesmo instante levantava e tacava o microfone, celular, sapato e tudo o que mais tivesse ao alcance.

Dunga é iracundo, dá pra ver. É inseguro, por isso a marra. Ele na verdade tem medo de receber críticas e antes mesmo que elas venham, ele dispara uma metralhadora de falta de educação para todos os lados.

A Copa não foi a mais bela, não para mim. Torço, com sinceridade, com uma paz como se não gostasse de futebol. Falo a verdade, eu hoje prefiria estar vendo o Ipatinga jogar(pasmém... pois o time nao ganha de ninguém), a ter que aturar o Dunga na beira do campo.

Mas, pensando na vida e nos amigos, como você se comporta diante da crítica? Como você se comporta diante de situações que invariavelmente acontecem na vida, em que é pressionado ao extremo?

Alguns xingam, berram, batem, ofendem, respondem. Outros, mudam, trabalham, ouvem e crescem.

Queria mandar este texto para o treinador da seleção. Ele não vai ler, eu sei, mas queria apenas saber se ao final ele gostaria de mudar, ou apenas continuaria a xingar todo mundo.

E ainda dizem que isso é perseguição...

A NOVA REFORMA PROTESTANTE
MATÉRIA DA REVISTA ÉPOCA CHAMA A ATENÇÃO PARA UM NOVO MOMENTO DA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA
A revista época lançou na semana passada uma bem feita matéria sobre o movimento evangélico no Brasil, se é que podemos chamar assim.
O texto, bem conduzido pelo jornalista Ricardo Alexandre, trouxe à luz uma discussao que vem se arrastando por diversos meios cristãos, bastidores de igrejas cristãs, e encontros sem fama dos arraiais evangélicos. Digo sem fama porque os encontros, HOJE, que sao famosos, nao sao encontros de reflexão, são encontros apenas.
Vale a pena a leitura da revista e da matéria. Vale a pena perceber que estamos entrando num novo tempo e momento da fé evangélica brasileira. Algo precisa acontecer.
Não podemos, gratuitamente, ser confundidos com uma religião que prega o que a bíblia contradiz, que fala o que Deus nunca disse e crê em algo que nao se justifica.
Esse tempo chegou, espero que aproveitemos o bastante, e que muito do que tem sido feito por aí em nome de Deus, mas nao o é, seja desmascarado, a fim de que o evangelho pregado por Jesus de Nazaré prevaleça.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sem Perder a Alma

A gente chega numa idade que parece já ter visto de tudo e do seu reverso. Em meus doze anos de convívio entre os evangélicos, ganhei a sensação de que nada mais pode me surpreender.

Já me arrepiei com o denodo de pastores que sobem morros perigosos, com a persistência de rapazes que dedicam tardes de domingo visitando hospitais, presídios e sanatórios, com a ternura de mulheres que cuidam de orfanatos.

Contudo, do mesmo modo, testemunhei horrores praticados em nome de Deus, escandalizei-me com evangelistas escarnecendo de paralíticos, revoltei-me com a manipulação exagerada de falsos milagres. Espantado, presenciei missionários, ávidos por demonstrar o tamanho de sua unção, inventando manifestações sobrenaturais.

Depois de conhecer os bastidores de algumas igrejas evangélicas, percebi o risco de tornar-me cínico. Diante de tanta ambigüidade na esfera religiosa, eu poderia aprender a comportar-me como uma hiena, sarcasticamente rindo por dentro perante tanto paradoxo.

Infelizmente, convivo com tantos doentes espirituais, que também corro sério risco de me desumanizar. Sei que posso sucumbir à tentação de ganhar o mundo inteiro e, no processo, perder minha alma; posso despersonalizar-me só para ter alguma notoriedade denominacional.

Conheci líderes com traquejo nos palcos religiosos, mas que já não beijam seus filhos há tempo. Posso citar vários que nunca leram poesia, jamais contemplaram a beleza de um pôr-do-sol, não jogam bola com os netos e desconhecem a alegria de deixar-se conduzir por uma melodia calma; muitos esqueceram que é possível ouvir o inaudível no cicio de uma brisa.

Ah, como fui tardio em desconfiar que meu ambiente religioso fosse tão perigoso! Porque não me precavi do fermento dos fariseus, paguei um preço muito alto.
Para não asfixiar a alma, senti a necessidade de achar respiradouros onde pudesse renovar meu ser.

Assim, passei a ler diversificadamente. Aprendi a gostar de poesia, biografias, romances e crônicas. Hoje, sonho ao lado de mestres das metáforas como José Lins do Rego; compenso a crueldade do mundo, viajando pelos universos paralelos imaginados por gente como Tolkien, Gabriel Garcia Márquez e Rachel de Queiroz; refresco meu coração com a sublimidade poética do Vinicius de Moraes. Em minhas tristezas, sinto-me atraído pelos Salmos de Davi e por Fernando Pessoa.

Assim, quero consagrar cada abraço que dou e recebo, e considerar meus presentes como sacramentos do cuidado de Deus. Como alquimista, busco transformar cada instante de minha breve vida, numa gostosa saudade.

Assim, desejo aprender a conversar despretensiosamente com meus amigos. Hoje, sei que preciso antecipar-me aos meus inimigos para poder oferecer-lhes um pedaço de minha paz e pedir que me ajudem a construir pontes em direção a eles.

Assim, anseio por ler a Bíblia sem a obrigação de conseguir tirar “verdades práticas” do seu texto. Tenho sede de meditar vagarosamente nas histórias, parábolas e ensinos dos dois Testamentos. Ainda hei de descobrir o que o salmista quis comunicar quando escreveu: “Provai e vede que o Senhor é bom”.
Assim, aspiro aprender a calar-me na presença de Deus. Hoje, quero exercitar-me na oração contemplativa.

Eu já quis ganhar cidades, mas hoje tenho um projeto mais fascinante, luto com todas as minhas forças para cuidar do meu coração - dele saem as fontes da minha vida.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O feriadão em duas frases...

“Não é como criança que creio em Jesus Cristo e o confesso. Meus hosanas nasceram de uma fornalha de dúvidas” – Fiodor Dostoiévski

“Eu acredito no cristianismo como eu acredito no sol, não por aquilo que ele é, mas que através dele eu posso ver tudo ao meu redor” – C.S Lewis

terça-feira, 20 de abril de 2010

Impressionante...

"Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo. E eu o digo a mim mesmo, com um amor zeloso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha nele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade" (Dostoievsky)

domingo, 18 de abril de 2010

Aqueles a quem eu devo muita coisa...

Não deixe de assistir...

Àqueles a quem eu devo Tudo...

Cumprindo uma das ordenanças

Ontem a noite estive na igreja onde congrego (Igreja Batista do Cidade Nobre) e presenciei um lindo batismo. É impossível não se emocionar ao ver pessoas professando sua fé em Cristo e passando pelas águas... momento mágico, único, cheio de alegria... Entre as pessoas estava uma irmã com um problema degenerativo na vista, segundo o pastor apenas um milagre pode ajudá-la, mas ela nem um pouco abalada estava feliz e contente por aquele dia.
Ao olhar para aquelas pessoas pude voltar no tempo e ver e sentir novamente uma alegria que parece que com o passar do tempo nos perdemos... a alegria da salvação... o primeiro amor... o encontro com o sagrado. Na verdade aqueles irmãos aprenderam na prática a cumprir uma das ordenanças... Como batistas que somos, acreditamos que o batismo é uma ordenança.
Observe a letra dessa música e veja se não é impactante...

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém,
A minha glória é fazer com que conheçam a ti.
E que diminua eu pra que tu cresças, Senhor, mais e mais.

E como os serafins que cobrem o rosto ante a ti,
Escondo o rosto pra que vejam Tua face em mim,
E que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor, mais e mais...

Refrão: { 1X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer.

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém,
A minha glória é fazer com que conheçam a ti.
E que diminua eu pra que tu cresças, Senhor, mais e mais.

E como os serafins que cobrem o rosto ante a ti,
Escondo o rosto pra que vejam Tua face em mim,
E que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor, mais e mais...

Refrão: { 3X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer.

Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!
Tua presença... Tua presença é o meu prazer!

Refrão: { 1X }
No Santo dos santos a fumaça me Esconde, só teus olhos me vêem.
Debaixo de tuas asas é o meu abrigo, meu lugar secreto,
Só tua graça me basta e tua presença É o meu prazer. { 2X }

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Em quem temos crido...

Que evangelho estamos vivendo?
Cada um de nós tem uma história de vida cristã. Paulo teve a sua. Timóteo, sua avó e sua mãe também viveram as suas.
Quanto a nós, o que se pode falar?O que Paulo disse da família de Timóteo e dele mesmo? Como o apóstolo, temos servido com consciência limpa, isto é, certo de que estamos servindo, de que estamos mesmo fazendo o melhor que podemos, ou estamos esperando apenas que Deus nos sirva, ou apenas tocando a vida, sem serviço, sem poesia, sem graça?
Desde que confessamos a Jesus como Salvador e Senhor, recebemos o dom. Esse dom se expressa em termos de poder, amor e equilíbrio. O poder salvador é o poder de Deus que vem ao nosso encontro; é também o poder para uma vida que reanima em nós a imagem e semelhança de Deus. O amor é o amor de Jesus que se entrega por nós e espera que nos entreguemos por Ele e pelos outros. O equilíbrio é a força que o Espírito Santo nos confere para uma vida serena, mesmo em face dos adversários internos e externos. O dom que recebemos, portanto, nos traz o poder de Deus, o amor de Cristo e o equilíbrio do Espírito Santo.
Não podemos acender o dom, mas precisamos manter acesa a chama desse dom. Como Timóteo, corremos o perigo de ver a chama desse dom se apagar.
Quando vem as dificuldades, achamo-nos sozinhos, abandonados por Deus. Perguntamo-nos até se fomos mesmo salvos. Dizendo-o ou não, sentimo-nos vitimas de uma propaganda enganosa. A alegria da vida cristã vai sendo substituída por uma vida cristã ritualizada e rotineira. Por fim, em alguns casos, nem o ritual sobrevive.
Quando convivemos mais de perto com alguns líderes e cristãos comuns, a decepção pode jogar um caminhão-pipa de água sobre a chama do dom. Não achamos que devem olhar para nós, porque somos falhos, mas olhamos para os outros, que não podem falhar. E mais uma vez, o fogo da fé vai se tornando um monte de cinzas. Se vier uma tempestade, até as cinzas se vão na lama.
Paulo também podia ter experimentado o mesmo caminho. Preso, poderia ter-se perguntado se Deus o vocacionara mesmo. Preso, poderia ter-se perguntado onde foi que errou. Paulo estava preso por ordem do imperador romano. Pelo menos era o que o imperador pensava. Pelo menos, era o que todos imaginavam. Paulo não, ele sabia que os poderes desse mundo são transitórios. Quando lhe faltou dinheiro para pregar o evangelho, trabalhou com as próprias mãos, mas sabia que a escassez seria transitória. Quando foi perseguido e chicoteado sabia que a dor seria transitória. A certeza do apóstolo era que Deus estava no controle de sua vida, por mais descontrolada que as circunstâncias a tornavam.
Paulo cria no Pai que o chamara, no Cristo que o salvara e no Espírito Santo que o preservava. Por isto, escreve, com convicção animadora: “Sei em quem tenho crido”.
E nós, em quem temos crido?

Realidade ou Utopia

Tenho 28 anos e “sei que nada sei”, contudo cheguei há uma etapa da minha vida que assim como diz a música, “É preciso saber viver”. Hoje os poucos e bons anos de experiência que tenho me ensinaram a temer; é isso... tenho medo de ferir mais pessoas, de magoar outras, de encontrar gente falsa, principalmente nos bancos de nossas igrejas (seja ela qual for...evangélica, católica, etc). Tenho medo da fé frouxa, da religiosidade medíocre, dos crentes hipócritas e dos papparazzis de plantão... mas uma coisa sei, cheguei aos 28, para alguns isso pode não parecer nada, mas com certeza não foi a toa...foi para ver Deus mais de perto. Se for por pouco tempo aqui, verei aqui e na eternidade, se for por muito tempo aqui será um bom estagio para esta eternidade. Cheguei aqui, com o desejo imenso de sonhar novos sonhos, como os de um garoto, sem os mesmos impulsos, sem os mesmos erros de avaliação, sem os mesmos medos...Aos 28 serão outros...Mas aí, espero, a história venha provar, que aquele a quem Deus chamou, nunca desamparou, aquele que Ele nunca desamparou, nunca deixou de usar, e aquele que Ele nunca deixou de usar, se realizou...Se tiver mais 28 anos, ou seja, chegar aos 56, quero olhar para trás e assim como a música, dizer: “Valeu a pena... Valeu a pena... pescador de ilusões”.
Nessa caminhada adquiri alguns sonhos, alguns possivelmente reais, outros utópicos. Contudo recordo-me do grande filósofo Friederich Nietszche que dizia: “Nada vos pertence mais que os sonhos vossos...”.
Sonho com uma igreja amiga, onde as pessoas são amigos e que tão amigos que são serão capazes de ver erros e acertos como pontes para o crescimento. Sonho ainda com uma igreja que olhe para os necessitados, onde as pessoas buscam a igreja esperando não apenas uma palavra de "paz", mas uma boa solução para a barriga vazia, o frio da noite, e o medo do amanhã. Sonho ainda com uma igreja onde louvar não é obrigação, e sim adoração. Onde a palavra não aprisiona, liberta. Onde os cultos não são encontros sociais, são encontros espirituais. Sonho com uma igreja imperfeita, risos, isso mesmo. Enjoei de ver gente falando mal do outro nos pedidos de oração. Me causa náuseas perceber o irmão pregando em nome de Deus, citando as fraquezas de seu próximo, que depois dessa deixou de ser. Sonho com uma igreja sem religião, ou sem religiosidade, onde as pessoas são livres para ser de Deus, do jeito que Deus deseja e não eu.
Pois bem, esta é a igreja dos meus sonhos, talvez você diga que isso é real, outrora há aqueles que irão dizer que isso é utópico, que respondam vossas consciências. Infelizmente algumas pessoas acostumaram-se a ver igreja no templo, pastor no pulpito...Isso não me estranha afinal de contas, muitos só são crentes no culto.

O Deserto que se faz Necessário

Quando me recordo dos bons tempos de seminário, lembro-me com muita nostalgia do capelão daquela casa que sempre nos dizia que o seminário era um deserto, e que era necessário passarmos por ele.
A história do povo de Israel só pode ser compreendida a partir do deserto. De um povo marginalizado entre as nações Deus formou o seu povo eleito, libertando-o da escravidão do Egito e levando-o para a terra prometida.
Mas a libertação teve um preço. Para chegar a terra prometida foi necessário passar pelo deserto. Durante 40 anos os hebreus viveram no deserto. Foi um período de altos e baixos, revoltas e murmurações, fome e sede, provações e infidelidades.
A esperança desaparece quando não se alimenta a fé. A fé perde sua própria coragem e audácia quando o ser humano não deseja outra coisa a não ser a satisfação de suas necessidades imediatas. Para alimentar a fé é preciso ter uma espiritualidade de deserto.
O deserto nos faz caminhar. Não deixa a pessoa se acomodar. Caminhar significa levar continuamente consigo, sem deixar para trás, o objeto da própria esperança. Significa crer que estamos sendo conduzidos para a terra prometida e que todos os caminhos da fé, por mais sinuosos que sejam, conduzem a Deus. As dificuldades encontradas no caminho servem para lembrar que a salvação é dinâmica. A provação amadurece a fé, ao mesmo tempo em que revela de modo mais evidente, a grandeza de Deus.
O deserto é um itinerário espiritual; lugar constante de tentações e discernimentos. O deserto é escola de vida, nele o cristão amadurece suas opções e se deixa conduzir pelo espírito daquele que ressuscitou.
O deserto não é casa a ser habitada, mas espaço para realizar uma profunda experiência, que torne mais verdadeira as relações com Deus e com os irmãos. No deserto o ser humano descobre sua fraqueza e se vê obrigado a buscar força e amparo somente em Deus. É no silencio fecundo e pleno que se dá o encontro com o Deus da vida. O Deus do deserto é o Deus da fé.
O deserto assim sendo, acaba se tornando um tempo de revelação de Deus, renovação da aliança e restauração da santidade pessoal e comunitária.

Tupi Or Not Tupi

Em 1922 aconteceu, na cidade de São Paulo, a semana de Arte Moderna. Ela reuniu pintores, escritores, músicos e artistas para afirmar, no ano do centenário da nossa independência, a necessidade de produzir uma cultura voltada para o Brasil, menos presa a “estrangeirismos”.
“Tupi or not Tupi: eis a questão”, diziam os modernistas, abrasileirando a frase de Hamlet, personagem de Shakespeare. Buscando nossa identidade, nosso próprio modo de ser, artistas e intelectuais saíam de um mundo fechado, eurocêntrico, e passavam a reconhecer o povo em suas obras.
A arte brasileira começou a adquirir características mais nacionais através da criatividade, ainda bem atual, de Villa Lobos, Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Oswald e Mário de Andrade, entre outros.
Na verdade quando olho para a Semana de Arte Moderna consigo entender que todo o acontecido narrado nos parágrafos acima se faz presente nos nossos dias. Como pastor me “atrevo” a falar apenas de algo onde estou inserido, nada mais do que isso.
Pensando na igreja e lembrando de um passado bem recente quando os norte americanos e europeus diziam que não tínhamos capacidade e muito menos competência para caminhar com as próprias pernas, entendo que precisamos avançar constantemente.
Mas é lamentável e muito triste que a igreja brasileira ainda não despertou para a nossa necessidade de construirmos uma teologia brasileira, voltada para o nosso povo, com liturgia brasileira, com musicas que falem da nossa realidade e acima de tudo com metodologias voltadas para a nossa realidade.
Durante anos temos importado “lixo comercial e industrial” que não vem de terras tupiniquins, muito pelo contrário, vem do norte onde o “frio e o imperialismo ideológico” se tornam cada vez mais presente.
Finalizo me recordando de um grande mestre do S.T.B.S.B. (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) chamado Clemir Fernandes que constantemente nos dizia: “Posso até estar ficando louco, mas olhem para o nosso redor e vejam. É ou não é verdade ?”. Que respondam as vossas consciências.

Rádios Evangélicas, juro que tentei

Há cerca de um mês eu mesmo me propus um desafio. Há tempos não parava para ouvir uma rádio evangélica, não que eu não tivesse tempo, eu não tinha mesmo era paciência. Mas fui duro comigo mesmo, e tentei. O que ouvi e percebi nesse desafio é o que passo a narrar neste texto.

Aqui quero abrir parênteses. Na lista de discussão do site no yahoogrupos.com.br, o Renato Fontes escreveu o seu diário de sofrimento ao passar uma semana somente ouvindo rádios evangélicas. Confesso que ele foi mais corajoso que eu. Só agüentei poucas horas... e é sobre isso que quero falar.

Minha primeira conclusão é que estamos passando por um grande deserto. A igreja deve estar passando por um grande período de estiagem, de seca. Só isso pode explicar a quantidade de músicas pedindo chuva. Faz chover, derrama tua chuva, vem com tua nuvem, abre as comportas do céu, derrama a chuva, chuva de avivamento...

Em contrapartida, também fala-se muito de fogo. Quando não é chuva, é fogo. Realmente é fogo ouvir tanta coisa assim. Tinha até uma música (?) falando do “diabo fazendo careta, e o crente com esse fogo faz churrasco de capeta”. Acho que a mesma música ainda falava de “fogo no diabo da cabeça aos pés”. As outras falavam de fogo como algo bom. Não consigo ver isso na linguagem bíblica. Fogo sempre está relacionado a destruição, juízo, etc. Era tanto fogo que, é claro, tinha que ter alguém se derretendo. Pois é exatamente o que diz uma das músicas que ouvi, num super arranjo instrumental, muita animação, uma letra boa até o ponto que fala que “eu vou me derreter...”

Lembrei-me, e não tinha como não lembrar, dos amigos de Daniel, na fornalha... nem um fio de cabelo tostado, inteiros, intactos. Eles não derreteram. Também lembrei de Paulo escrevendo aos Coríntios dizendo que “se alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um, pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo FOGO (...) se a obra de alguém se queimar (derreter), sofrerá ele dano.” Bem... eu continuo querendo não ser derretido.

Outra coisa. Alguém pode pedir para os “levitas” pararem de pregar entre as músicas? O pior é que o choro das milhares de “valadões” deu lugar a voz ofegante e “cansada” dos “Quinlans, Sheas e Fernandinhos”. Parece que os camaradas correram uma maratona antes de chegarem ali, então gritam com voz rouca, emocionada, sensual (também, com tanta música falando de beijo, abraço, colo, carinho, etc). E o público delira...

Previsão do tempo na música “gospel”: Se não tiver chuva, o tempo vai ficar nublado. Só isso pra explicar a quantidade de nuvens no céu da música evangélica. As nuvens de glória nem deixam o sol da justiça brilhar, esse é o problema. Aliás, nuvem de glória não, shekiná (esqueci que tudo agora tem que ser em hebraico). Shekiná prali, Shekiná pra lá, nuvem, peso de glória, nuvem carregada. Sai de baixo... vem temporal aí!

Aliás o tempo também está propício a romances. Como tem músicas românticas no nosso meio. Engraçado é que pra não dizerem que fizeram uma música SOMENTE romântica, todas elas têm algo do tipo “Deus quem me deu você”, só pra não admitirem que o que queriam mesmo, no fundo no fundo, era fazer sucesso no meio secular, como cantores românticos. Mas como a qualidade não é lá essas coisas, permanecem no meio “gospel”, pois aqui qualquer porcaria vende (lá também, mas o jabá é mais alto).

Outro lado dessa moeda, e esse eu acho pior, são as músicas românticas-sensuais-eróticas que são dedicadas a “Jesus”. Também, não era de se esperar menos, afinal de contas, com uma NOIVA tão desesperada...

É um tal de “quero teu colo”, “teu carinho”, “quero te beijar, te abraçar”... Mais legal ainda são algumas capas de CD´s com um Jesus “saradão” vindo resgatar a noiva. Aliás, eu gostaria de perguntar uma coisa: Quem seqüestrou a noiva??? A noiva está sendo preparada ou está em cativeiro??? Sim, porque é tanto clamor pro noivo vir resgatar a noiva que eu já nem sei mais o que pensar. E eu pensando que a noiva estava sendo adornada, purificada, preparada para as Bodas do Cordeiro. Que nada! Ela está sob domínio do inimigo, necessitando ser resgatada pela SWAT angelical ao comando do noivo “saradão”.

Aliás, realmente eles pensam que é assim. Só isso pode explicar tantos cânticos pedindo “libertação” e “cura” para os que já foram salvos. E mais uma vez eu aqui, com cara de trouxa, acreditando que a liberdade conquistada na cruz era suficiente, que o sacrifício ÚNICO de Jesus bastou para me libertar. Nada disso! Todo culto eu tenho que clamar: “Vem me libertar”, “Quebra minhas cadeias”, “Enche meu coração vazio”, “Liberta-me Senhor”. E eu pensando que “se, pois, o FILHO vos libertar, VERDADEIRAMENTE SEREIS LIVRES”. Que bobagem a minha...

Bem... na verdade foram poucas horas que consegui essa façanha de ficar ouvindo uma rádio evangélica. Não agüentei nem 6 horas... mais um pouco e eu surtava... e eu não podia surtar, estava trabalhando... sintonizei na MPB FM... e dei graças a Deus pela boa música popular brasileira...

Religião e Espiritualidade

Em primeiro lugar gostaria de fazer uma pequena explanação sobre a etimologia da palavra religião e, logo depois, apresentar o que alguns pensadores falam a respeito.
Religião vem do latim, religare, a palavra pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.
Durante séculos a palavra religião foi utilizada no contexto cultural da Europa, marcado pela presença do judaísmo e cristianismo que se apropriou do termo latino "religio'. Em outras civilizações não existe uma palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a palavra Rita, que apontava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correta execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o termo foi substituído por dharma, termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a idéia de uma lei divina e eterna".
Historicamente foram propostas várias etimologias para a origem de religio. Cícero, na sua obra "De natura deorum", 45 a.C., afirma que o termo se refere a relegere, reler, sendo característico das pessoas religiosas prestarem muita atenção a tudo o que se relacionava com os deuses, relendo as escrituras. Esta proposta etimológica sublinha o caráter repetitivo do fenômeno religioso, bem como o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio, no século III e IV d.C., rejeita a interpretação de Cícero e afirma que o termo vem de religare, religar, argumentando que a religião é um laço de piedade que serve para religar os seres humanos a Deus. Na obra "A Cidade de Deus", Agostinho de Hipona, século IV d.C., afirma que religio deriva de religere, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegia de novo a Deus, do qual se tinha separado. Mais tarde, na obra "De vera religione" Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio, que via em religio uma relação com "religar".
Macróbio, no século V d.C., considera que religio deriva de relinquere, algo que nos foi deixado pelos antepassados.
Independente da origem, o termo é adotado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Quando jovem, Xenofonte participou na expedição contra Artaxerxes II, liderada pelo próprio irmão caçula do imperador persa, Cyrus, o mais Jovem, em 401 a.C., Xenofonte diz que se aconselhou com o veterano Sócrates se deveria ou não ir com Cyrus, e Sócrates indicou-lhe o oráculo de Delfos. Sua pergunta ao oráculo, no entanto, não foi de aceitar ou não o convite de Cyrus, mas "para qual dos deuses deveria rezar e prestar sacrifício, para que pudesse completar sua pretendida jornada e retornar em segurança, com bons resultados." O oráculo lhe disse para quais deuses. Quando Xenofonte retornou a Atenas e contou para Sócrates o conselho do oráculo, Sócrates o reprimiu por fazer a pergunta errada ao oráculo, mas disse: "Já que você fez essa pergunta, você deve fazer o que alegrará o deus".
É certo que todas as sociedades humanas, desde as mais primitivas, criaram seus mitos e desenvolveram ritos, valores, costumes e uma moral baseada em seu estágio de evolução sócio-econômica e intelectual. A própria figura do sacerdote era entre elas reverenciada; sendo o sumo sacerdote também uma autoridade política, além de religiosa.
Porém, a religião perpassa nas sociedades a função espiritual e também executa um fundamental papel, o de regulador e de manutenção da ordem estabelecida. Portanto, a religião atende, antes de tudo, aos interesses do Estado, e não, essencialmente, a alma humana.
Para Freud, a religião cumpre a função de ajudar o ser humano a satisfazer na imaginação o que na realidade ele não se atreve ou não pode realizar na vida real. A religião, em suas palavras, seria um erro grave e como erro, toda a ambigüidade entre signos, símbolos e realidade, é grande demais para ser real. Trata-se de um delírio da verdade.
Para Wilber (1977), a diversidade das religiões exotéricas reflete a diversidade das ideologias, idiossincrasias e paradigmas culturais.
No filme americano Coração Satânico (Angel Heart) há um diálogo entre o detetive Harry Angel e o misterioso homem chamado Louis Cyphre, que profere a seguinte expressão: "Dizem que há religiões suficientes no mundo para os homens se odiarem uns aos outros, mas não para que se amem".
Todas pregam a mesma coisa: a prática do bem. Todas condenam a mesma coisa: o exercício do mal. Todas afirmam que somos irmãos, somos iguais, que devemos nos amar e unir. Mas todas brigam entre si em nome do amor do seu Deus.
Para Karl Marx, a religião é o ópio do povo. Porque impede que o homem veja sua realidade e lute pelos seus direitos, mas aceitem suas condições de explorados.
As religiões de forma geral criam seus dogmas e liturgias e ensinam aos seus discípulos a necessidade de suas práticas como lei divina. Causam a falsa impressão de que aqueles que andam segundo os seus preceitos, doutrinas e regras evoluem espiritualmente. Entretanto, as transformações que estes discípulos manifestam são externas. Podem até se apresentar com aparências divinas, mas suas atitudes são de condenação e morte. Veja o que diz Jesus dos escribas e fariseus: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." (Mateus 23 : 27). Creio que Jesus procurou mostrar-lhes que sua religião era vã, visto que sua aparência era de religiosidade, mas seus corações estavam cheios de pecados. Pois na verdade a evolução espiritual não ocorrera no homem pelo cumprir a Lei divina (coisa que ninguém é capaz!), mas pelo crescimento
da vida de Deus no homem!
A religião se expressa em poder social e político; a espiritualidade, se expressa em amor nas suas mais variadas formas!
Nesta passagem bíblica temos uma compreensão maior da vontade de Deus na vida dos homens: "Mas os fariseus, sabendo que Jesus fizera calar os saduceus, reuniram-se; e um deles, doutor da lei, para o experimentar, fez-lhe esta pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da lei?
"Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos resumem toda a lei e os profetas". (Mateus, XXII, 34-40. ).
Enfim, os homens podem continuar a ser religiosos e a se esforçarem na pratica dogmática das leis divinas, podem ter aparências de justos e perfeitos; mas não deixaram de buscar seus proveitos próprios e de ostentarem poder. Mas o crescimento da vida interior que agrada a Deus só ocorrerá quando o próprio Deus se expressar no homem!

Doce Nome...

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Gozo e de paz tu imundas meu ser.

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Pois de paz tu imundas meu ser.

Jesus que doce nome
Que transfoma em alegria o meu triste coração
Jesus so o teu nome
É capaz de dar o homem salvação.

Só de ouvir tua voz
De sentir teu amor
Só de pronunciar o teu nome
Os meus medos se vão
Minha dor meu sofrer
Pois de paz tu imundas meu ser.

Jesus que doce nome
Que transfoma em alegria o meu triste coração
Jesus so o teu nome
É capaz de dar o homem salvação.

Acho que estou me tornando homem...

"Eu quero ver Se tu é homem mané... Do jeito que eu fui E que eu sou... Eu quero ver Se tu é homem mané...Que nem a parteira falou...". (Marcelo D2 - 1967).
Crescemos ouvindo aquela história de que homem não chora, me recordo como se fosse hoje do meu pai dizendo: "engole o choro menino". Cresci, e percebo cada vez mais que os homens choram, e como choram. Isso não o faz menos "homem" do que os outros.
A vida da gente se desenrola em meio a um turbilhão de sentimentos e emoções, eu costumo dizer que nada como um dia após o outro ou seja, o amanhã sempre pode ser muito melhor do que hoje. Gonçalves Dias dizia que viver é lutar, eu me arrisco a dizer que viver é sofrer... sim é isso mesmo, não que a vida seja apenas isso mas o sofrimento faz parte do cotidiano. Hoje acordei com um sentimento de frustração, de incertezas na vida, de medo e por ai vai...
Quando me recordo das palavras de meu pai, chego a conclusão que estou "me tornando homem", sim me considero cada vez mais homem por causa desses sentimentos, por causa dessas dores... ao me olhar no espelho vejo alguém inacabado, confuso, em busca de respostas, mas com uma certeza enorme de que a vida se constrói e reconstrói no desenrolar dessas questões que por vez ou outra tomam conta de nossas mentes.
Tenho olhado para a vida com outros olhos... tenho vivido cada dia como se fosse o último... tenho me doado mais para a minha família... tenho descoberto que ser "crente" é bom... Gostaria de convidar você meu caro leitor a olhar para a vida com os olhos que ela precisa ser vista assim sendo, releve... construa... recomeçe... corra atrás.