Espaço criado para compartilhar idéias, pensamentos e até mesmo estimular uma discussão sadia sobre temas como vida, espiritualidade, teologia, política, família, etc. Espero que você curta bastante. Boa leitura!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A Plenitude da Religião
A palavra religião tomou um sentido pejorativo nos meios religiosos. Parece uma redundância, mas é exatamente isso. A palavra tornou-se sinônimo de intolerância, legalismo e hipocrisia. Na verdade, penso ser necessário resgatarmos o sentido da palavra que quer dizer religar. Dentro do cristianismo essa palavra sempre teve em mente a religação da relação do homem com Deus, que desde Adão tinha sido cortada, mas a religação deve ser plena, ver o homem por completo. Coloco então os seguintes aspectos:
1 - A Religação do Indivíduo Consigo Mesmo.
O pior divórcio que pode existir é dentro de nós mesmos. Quando ficamos divididos a ponto de perdermos a nossa identidade, quando achamos que devemos viver para a expectativas de grupos sociais, de pessoas e nos tornamos algo que não gostaríamos de ser, que, aliás, não somos. É quando nos tornamos um projeto fora de nós, mas dentro estamos divorciados com essa imagem. Foi Camus que escreveu que quando uma mentira é contada repetidas vezes torna-se verdade até para quem conta. Pura verdade. Precisamos de uma experiência que nos leve a religar nossa vida a partir de dentro de nós. O medo das ambigüidades, dos paradoxos, da angústia de ter de lidar com a ausência de respostas fazem parte desse processo. Rubem Alves foi perguntado uma vez como ele se definia, mas respondeu que não se definia, pois definir é delimitar e delimitar é pôr limites ao que somos, uma vez que nós, enquanto indivíduos, temos que estar abertos a nos descobrir e redescobrir diariamente. Eu não sou a mesma pessoa de anos atrás, também não serei a mesma pessoa de hoje daqui a alguns anos, mas essa mudança não deve ser somente em conseqüência de fatores externos, como novas ideologias de vida que surgem, mas também pelo senso crítica da vida e das expectativas que as aspirações e as experiências pessoais nos trazem.
2 - A Religação com o Outro.
Só podemos ser algo diante do outro. É no outro que também encontramos a nossa identidade. Vivemos tempos de medo dos relacionamentos. Bauman comenta num lindo livro seu chamado Amor Líquido que foi feita uma experiência com ratos onde um fio desencapado era colocado num queijo dentro da gaiola. O rato quando sentia fome mordia o queijo e recebia um pequeno choque, mas como a fome aumentava, ele tornava a morder o queijo e a sentir o choque. Sentida desejo – causado pela fome - e repulsa - causada pelo choque -, quando a repulsa e o desejo atingiram seu limite o rato teve uma forte convulsão. Vivemos o mesmo em relação aos relacionamentos. Por vivermos numa sociedade que incentiva a competição, perdemos gradativamente a solidariedade, a reciprocidade, a camaradagem. Passamos a viver tendo o outro como trampolim ou obstáculo ao sucesso. Temos pessoas isoladas e amedrontadas, mas também carentes de afetividade e aprofundamento das relações. Surge a urgência da religação com o nosso próximo.
3 - A Religação com a Vida
Nossa sociedade nos ensina a competição e o sucesso profissional, junto com os louros sociais que recebemos ao alcançá-los. Passamos a olhar a vida somente deste ângulo, mas a vida é mais. A realização com a vida inclui família, amigos, profissão, deveres, prazeres, enfim, devemos conhecer a vida e vivê-la, buscar a sua plenitude. Jesus disse para não andarmos ansiosos com o que iremos comer ou vestir, porque a vida é maior do que essas coisas.
4 - A Religação com Deus
Jesus disse para não orarmos como os hipócritas que oram nas praças buscando admiração dos outros, mas no quarto, em secreto, com o nosso Pai. Ir além dos ritos das instituições religiosas, da vaidade eclesiástica e do dogmatismo que tornam as instituições iracundas e vazias. Graças a Deus, a fé é algo que pode e deve ser vivida na esfera individual. Muitas vezes repetimos ritos e dogmas somente porque nos foi imposto como algo sagrado, mas podemos ver na vida de Jesus uma pessoa resistente a esses legalismos e ritos vazios. Ele não deixava de praticar seus ritos, mas negava-se a viver sua espiritualidade à partir do dogma, mas fez da vida e do amor seu rito maior, ainda que tivesse seus dogmas. O Pai nos recebe, só devemos ser gratos por isso e ir a ele sendo nós mesmos, para uma relação verdadeira e duradoura.
NOTA:
Temos acompanhado come esperança o estado dominando o complexo do Alemão e a cada apreensão de drogas, armas e traficantes, percebemos uma fagulha de esperança na população. É hora de religarmos aquelas pessoas excluídas à sociedade levando não somente o domínio da força policial - que é de suma importância para manter a paz -, mas também deve haver uma religação daquela comunidade à cultura, educação, saúde e trabalho. Esperamos que a sociedade fique atenta isso, pois caso não aconteça, todo esse esforço terá sido em vão, mas creio que pode ser um novo tempo.
1 - A Religação do Indivíduo Consigo Mesmo.
O pior divórcio que pode existir é dentro de nós mesmos. Quando ficamos divididos a ponto de perdermos a nossa identidade, quando achamos que devemos viver para a expectativas de grupos sociais, de pessoas e nos tornamos algo que não gostaríamos de ser, que, aliás, não somos. É quando nos tornamos um projeto fora de nós, mas dentro estamos divorciados com essa imagem. Foi Camus que escreveu que quando uma mentira é contada repetidas vezes torna-se verdade até para quem conta. Pura verdade. Precisamos de uma experiência que nos leve a religar nossa vida a partir de dentro de nós. O medo das ambigüidades, dos paradoxos, da angústia de ter de lidar com a ausência de respostas fazem parte desse processo. Rubem Alves foi perguntado uma vez como ele se definia, mas respondeu que não se definia, pois definir é delimitar e delimitar é pôr limites ao que somos, uma vez que nós, enquanto indivíduos, temos que estar abertos a nos descobrir e redescobrir diariamente. Eu não sou a mesma pessoa de anos atrás, também não serei a mesma pessoa de hoje daqui a alguns anos, mas essa mudança não deve ser somente em conseqüência de fatores externos, como novas ideologias de vida que surgem, mas também pelo senso crítica da vida e das expectativas que as aspirações e as experiências pessoais nos trazem.
2 - A Religação com o Outro.
Só podemos ser algo diante do outro. É no outro que também encontramos a nossa identidade. Vivemos tempos de medo dos relacionamentos. Bauman comenta num lindo livro seu chamado Amor Líquido que foi feita uma experiência com ratos onde um fio desencapado era colocado num queijo dentro da gaiola. O rato quando sentia fome mordia o queijo e recebia um pequeno choque, mas como a fome aumentava, ele tornava a morder o queijo e a sentir o choque. Sentida desejo – causado pela fome - e repulsa - causada pelo choque -, quando a repulsa e o desejo atingiram seu limite o rato teve uma forte convulsão. Vivemos o mesmo em relação aos relacionamentos. Por vivermos numa sociedade que incentiva a competição, perdemos gradativamente a solidariedade, a reciprocidade, a camaradagem. Passamos a viver tendo o outro como trampolim ou obstáculo ao sucesso. Temos pessoas isoladas e amedrontadas, mas também carentes de afetividade e aprofundamento das relações. Surge a urgência da religação com o nosso próximo.
3 - A Religação com a Vida
Nossa sociedade nos ensina a competição e o sucesso profissional, junto com os louros sociais que recebemos ao alcançá-los. Passamos a olhar a vida somente deste ângulo, mas a vida é mais. A realização com a vida inclui família, amigos, profissão, deveres, prazeres, enfim, devemos conhecer a vida e vivê-la, buscar a sua plenitude. Jesus disse para não andarmos ansiosos com o que iremos comer ou vestir, porque a vida é maior do que essas coisas.
4 - A Religação com Deus
Jesus disse para não orarmos como os hipócritas que oram nas praças buscando admiração dos outros, mas no quarto, em secreto, com o nosso Pai. Ir além dos ritos das instituições religiosas, da vaidade eclesiástica e do dogmatismo que tornam as instituições iracundas e vazias. Graças a Deus, a fé é algo que pode e deve ser vivida na esfera individual. Muitas vezes repetimos ritos e dogmas somente porque nos foi imposto como algo sagrado, mas podemos ver na vida de Jesus uma pessoa resistente a esses legalismos e ritos vazios. Ele não deixava de praticar seus ritos, mas negava-se a viver sua espiritualidade à partir do dogma, mas fez da vida e do amor seu rito maior, ainda que tivesse seus dogmas. O Pai nos recebe, só devemos ser gratos por isso e ir a ele sendo nós mesmos, para uma relação verdadeira e duradoura.
NOTA:
Temos acompanhado come esperança o estado dominando o complexo do Alemão e a cada apreensão de drogas, armas e traficantes, percebemos uma fagulha de esperança na população. É hora de religarmos aquelas pessoas excluídas à sociedade levando não somente o domínio da força policial - que é de suma importância para manter a paz -, mas também deve haver uma religação daquela comunidade à cultura, educação, saúde e trabalho. Esperamos que a sociedade fique atenta isso, pois caso não aconteça, todo esse esforço terá sido em vão, mas creio que pode ser um novo tempo.
A Reforma Protestante e o imenso equívoco evangélico
Está chegando aquele que deveria ser o dia mais importante para o segmento religioso evangélico, embora não seja nem lembrado como um dia de festa. Dia 31 de outubro é comemorado o dia em que o monge Martinho Lutero pregou as suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, protestando contra os desmandos da Igreja Católica do século XVI.
Embora seja um dia em que se deveria festejar com toda sorte de comemorações, o dia que fecha o mês de outubro, mesmo entre os ditos protestantes, só consegue ser um dia de importação de cultura estadunidense, para que o chamado "dia das bruxas" traga suas brincadeiras, escondendo a potência do evento que mexeu radicalmente com as estruturas sociais do Ocidente, contribuindo também para instaurar a chamada Modernidade.
A pergunta que fica, porém, é: Por que a Reforma não tem nem de longe o efeito que deveria ter no segmento evangélico brasileiro? Simples; porque o povo evangélico brasileiro não é protestante. Ao contrário do que se pensa, os evangélicos são mais católicos do que em última instância pensam ser. Para provar tal tese, além de mostrar que o dia 31 de outubro não será dia de festa - a não ser por razões eleitorais, visto que teremos eleições presidenciais - intento descrever em poucas linhas as diferenças e semelhanças entre ser protestante e pensar ser protestante.
O tripé da Reforma, como é sabido, é a junção do sola fide com o sola gratia e o sola scriptura. Isto é, salvação somente pela fé, somente por graça e somente através das Escrituras Sagradas. E, para radicalizar ainda mais a situação, Lutero, bebendo na sabedoria aristotélica, apregoa o chamado "sacerdócio universal de todo crente". Isso sim foi considerado protestar no século XVI, pois a universalização do sacerdócio traria, sem titubeios, a queda da hierarquia da cúria romana.
O problema é: será que os cristãos entendem a dimensão de tais propostas luteranas? Penso que não e até entendo, pois o próprio Lutero tentou voltar atrás, uma vez que percebeu que ser protestante era algo para muito além do que ele mesmo sonhara em princípio. Mas a coisa já estava feita e não tinha mais como o monge revoltado voltar atrás, exceto construindo um protestantismo com fortes bases católicas, como foi mesmo o que veio a acontecer, descontentando outros reformadores, como Calvino, Melanchton e Zwinglio.
Analisando com cuidado as implicações das máximas que permearam o nascimento do protestantismo, percebemos que o catolicismo medieval ainda é forte nas nossas relações de evangélicos. Embora seja uma tese para gerar debates até acalorados, ninguém pode negar que somos mais dependentes da hierarquia sacerdotal do que nunca. Afinal, até na hora de exercermos nossa cidadania delegamos nossas decisões democráticas aos líderes - muitas vezes mal intencionados - de nossas comunidades de fé. A postura do pastor Silas Malafaia, tentando colocar "cabresto" no voto de milhares de evangélicos assembleianos - e conseguindo inicialmente até algum sucesso - é uma prova cabal disso. A postura de milhares - quiçá milhões - de evangélicos que sacralizam a voz do pastor como se fosse a própria voz de Deus, mesmo quando o pastor fala uma série de besteiras refutadas pela Teologia, pela Exegese, pela História e pela Arqueologia, é outra prova dessa permanência nas "trevas" do catolicismo retrógrado medieval.
Mas ser protestante é outra coisa; é saber que é a fé em Deus - e não a fé nas correntes intermináveis das igrejas evangélicas - que tem o poder de derramar a graça que redime. É saber que é a graça deste mesmo Deus, entregando Jesus para todos - e não as falsas promessas pastorais, que só são compreendidas numa confissão positiva adoecida - que realmente salva o ser humano. É saber que é Bíblia - e não a leitura interesseira que muitos líderes fazem dela - que realmente alimenta e edifica os indivíduos, assemelhando-os ao Cristo que a todos recebe sem distinção. É saber que sou eu - e não um pastor aproveitador qualquer - que tenho o poder de ser sacerdote de mim mesmo diante de Deus. Isso é que é, stricto sensu, o protestantismo.
Era isso que Martinho Lutero queria em princípio e que devemos querer agora. Afinal, a Bíblia é protesto e profecia, enquanto denúncia social, pura. Sem entendermos isso, não nos restará nada além de, no domingo próximo, comemorarmos mais uma eleição, convidando o vizinho evangélico para uma festa de halloween.
Embora seja um dia em que se deveria festejar com toda sorte de comemorações, o dia que fecha o mês de outubro, mesmo entre os ditos protestantes, só consegue ser um dia de importação de cultura estadunidense, para que o chamado "dia das bruxas" traga suas brincadeiras, escondendo a potência do evento que mexeu radicalmente com as estruturas sociais do Ocidente, contribuindo também para instaurar a chamada Modernidade.
A pergunta que fica, porém, é: Por que a Reforma não tem nem de longe o efeito que deveria ter no segmento evangélico brasileiro? Simples; porque o povo evangélico brasileiro não é protestante. Ao contrário do que se pensa, os evangélicos são mais católicos do que em última instância pensam ser. Para provar tal tese, além de mostrar que o dia 31 de outubro não será dia de festa - a não ser por razões eleitorais, visto que teremos eleições presidenciais - intento descrever em poucas linhas as diferenças e semelhanças entre ser protestante e pensar ser protestante.
O tripé da Reforma, como é sabido, é a junção do sola fide com o sola gratia e o sola scriptura. Isto é, salvação somente pela fé, somente por graça e somente através das Escrituras Sagradas. E, para radicalizar ainda mais a situação, Lutero, bebendo na sabedoria aristotélica, apregoa o chamado "sacerdócio universal de todo crente". Isso sim foi considerado protestar no século XVI, pois a universalização do sacerdócio traria, sem titubeios, a queda da hierarquia da cúria romana.
O problema é: será que os cristãos entendem a dimensão de tais propostas luteranas? Penso que não e até entendo, pois o próprio Lutero tentou voltar atrás, uma vez que percebeu que ser protestante era algo para muito além do que ele mesmo sonhara em princípio. Mas a coisa já estava feita e não tinha mais como o monge revoltado voltar atrás, exceto construindo um protestantismo com fortes bases católicas, como foi mesmo o que veio a acontecer, descontentando outros reformadores, como Calvino, Melanchton e Zwinglio.
Analisando com cuidado as implicações das máximas que permearam o nascimento do protestantismo, percebemos que o catolicismo medieval ainda é forte nas nossas relações de evangélicos. Embora seja uma tese para gerar debates até acalorados, ninguém pode negar que somos mais dependentes da hierarquia sacerdotal do que nunca. Afinal, até na hora de exercermos nossa cidadania delegamos nossas decisões democráticas aos líderes - muitas vezes mal intencionados - de nossas comunidades de fé. A postura do pastor Silas Malafaia, tentando colocar "cabresto" no voto de milhares de evangélicos assembleianos - e conseguindo inicialmente até algum sucesso - é uma prova cabal disso. A postura de milhares - quiçá milhões - de evangélicos que sacralizam a voz do pastor como se fosse a própria voz de Deus, mesmo quando o pastor fala uma série de besteiras refutadas pela Teologia, pela Exegese, pela História e pela Arqueologia, é outra prova dessa permanência nas "trevas" do catolicismo retrógrado medieval.
Mas ser protestante é outra coisa; é saber que é a fé em Deus - e não a fé nas correntes intermináveis das igrejas evangélicas - que tem o poder de derramar a graça que redime. É saber que é a graça deste mesmo Deus, entregando Jesus para todos - e não as falsas promessas pastorais, que só são compreendidas numa confissão positiva adoecida - que realmente salva o ser humano. É saber que é Bíblia - e não a leitura interesseira que muitos líderes fazem dela - que realmente alimenta e edifica os indivíduos, assemelhando-os ao Cristo que a todos recebe sem distinção. É saber que sou eu - e não um pastor aproveitador qualquer - que tenho o poder de ser sacerdote de mim mesmo diante de Deus. Isso é que é, stricto sensu, o protestantismo.
Era isso que Martinho Lutero queria em princípio e que devemos querer agora. Afinal, a Bíblia é protesto e profecia, enquanto denúncia social, pura. Sem entendermos isso, não nos restará nada além de, no domingo próximo, comemorarmos mais uma eleição, convidando o vizinho evangélico para uma festa de halloween.
"Cristianismo: a melhor possibilidade de se atualizar Marx"
Concordando ou não com o seu posicionamento ideológico, todos sabemos que é inegável a enorme importância da contribuição de Karl Marx para o pensamento crítico contemporâneo nas mais diversas áreas do conhecimento. Tanto na Economia quanto na Filosofia, na História e nas Ciências Sociais, as ideias marxianas conseguem ainda encontrar espaço privilegiado nos debates acadêmicos e em outras rodas em que se interessam por pensar o modus operandi do sistema capitalista selvagem em que nos metemos. Em épocas de crises econômicas, como a que atingiu o mundo em 2009, isso fica ainda mais evidenciado e a obra de Marx é acessada até vorazmente.
No entanto, excetuando-se aquela que seria conhecida como a Teologia da Libertação, a única esfera onde o tal pensamento marxiano sempre pareceu não encontrar muita aceitação foi a esfera religiosa. Talvez por culpa do próprio Marx, que - não atentando para o forte poder da religião na mobilização das massas contra a opressão do Estado e do capitalismo e para o poder de sociação de algumas denominações religiosas em relação a grupos socialmente excluídos - taxou a religião como simplesmente "o ópio do povo", pois algo que só faria alienar os grupos de explorados, que não lutariam contra os seus dominadores, por conta de algo que seria para Marx um "posicionamento castrador" inerente à religiosidade.
Com a mesma ideologia de Karl Marx, mas com um olhar mais atento para as religiões e sua inegável contribuição na luta contra a opressão, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo e António Gramsci apresentaram textos onde a religiosidade fugia à afirmativa em princípio bastante reducionista que Marx legou à humanidade. A religião veio então a ser apresentada como algo para além de um simples "anestésico" para os dramas de uma humanidade permeada por desigualdades de toda natureza.
Ao arriscarem uma comparação entre o comunismo e o cristianismo primitivo, tais autores conseguiram fazer a aproximação que Marx não conseguira e possibilitaram, por esse gesto bastante solidário e delicado, uma abertura que fomentaria o pensamento marxiano como praticamente sinônimo do cristianismo strictu sensu. Se num âmbito mais latu o cristianismo passou nos últimos anos a ser uma faceta religiosa do capitalismo alienador - vide a "Teologia da Prosperidade" neopentecostal -, o tal cristianismo strictu sensu, o chamado cristianismo primitivo, conseguiu ser exatamente o que Karl Marx apregoaria como sonho para uma humanidade realmente humana, pois comunista: todos teriam tudo em comum e não haveria quem escravizasse os outros, numa hierarquização opressora, pois todos lutariam pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo.
Embora países ocidentais hegemônicos tenham fomentado uma luta entre o bem e o mal, taxando o comunismo de mal, já que eles, os hegemônicos capitalistas, seriam "do bem", a lógica do individualismo e da luta de todos contra todos no sistema de acumulação e de propriedade privada dos meios de produção só fez gerar algo que nunca esteve tão distante da cosmovisão do Cristo. Portanto, se a tal apelação para a esfera espiritual pudesse ser acessada para a justificativa de algo que é totalmente terreno, o capitalismo estaria muito mais distante do ideal cristão do que o comunismo, pois este último seria na verdade a própria expressão da ética do Cristo: para cada um conforme a sua necessidade e de cada um conforme a sua capacidade. Os que podem mais, contribuem mais e o que necessitam mais, recebem mais. Nada mais cristão.
O que vemos, pois, é que, embora possa parecer contraditória e totalmente descabida, a máxima que dá título a este escrito consegue se fazer justificar. Afinal, se o verdadeiro cristianismo é uma religião ao redor de uma mesa, onde todos podem ter o mesmo pedaço de pão, se tornando cumpanis - do latim, "com quem você come o pão" -, quem melhor do que os comunistas para nos ensinar o abrasileiramento da palavra companheiro?
No entanto, excetuando-se aquela que seria conhecida como a Teologia da Libertação, a única esfera onde o tal pensamento marxiano sempre pareceu não encontrar muita aceitação foi a esfera religiosa. Talvez por culpa do próprio Marx, que - não atentando para o forte poder da religião na mobilização das massas contra a opressão do Estado e do capitalismo e para o poder de sociação de algumas denominações religiosas em relação a grupos socialmente excluídos - taxou a religião como simplesmente "o ópio do povo", pois algo que só faria alienar os grupos de explorados, que não lutariam contra os seus dominadores, por conta de algo que seria para Marx um "posicionamento castrador" inerente à religiosidade.
Com a mesma ideologia de Karl Marx, mas com um olhar mais atento para as religiões e sua inegável contribuição na luta contra a opressão, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo e António Gramsci apresentaram textos onde a religiosidade fugia à afirmativa em princípio bastante reducionista que Marx legou à humanidade. A religião veio então a ser apresentada como algo para além de um simples "anestésico" para os dramas de uma humanidade permeada por desigualdades de toda natureza.
Ao arriscarem uma comparação entre o comunismo e o cristianismo primitivo, tais autores conseguiram fazer a aproximação que Marx não conseguira e possibilitaram, por esse gesto bastante solidário e delicado, uma abertura que fomentaria o pensamento marxiano como praticamente sinônimo do cristianismo strictu sensu. Se num âmbito mais latu o cristianismo passou nos últimos anos a ser uma faceta religiosa do capitalismo alienador - vide a "Teologia da Prosperidade" neopentecostal -, o tal cristianismo strictu sensu, o chamado cristianismo primitivo, conseguiu ser exatamente o que Karl Marx apregoaria como sonho para uma humanidade realmente humana, pois comunista: todos teriam tudo em comum e não haveria quem escravizasse os outros, numa hierarquização opressora, pois todos lutariam pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo.
Embora países ocidentais hegemônicos tenham fomentado uma luta entre o bem e o mal, taxando o comunismo de mal, já que eles, os hegemônicos capitalistas, seriam "do bem", a lógica do individualismo e da luta de todos contra todos no sistema de acumulação e de propriedade privada dos meios de produção só fez gerar algo que nunca esteve tão distante da cosmovisão do Cristo. Portanto, se a tal apelação para a esfera espiritual pudesse ser acessada para a justificativa de algo que é totalmente terreno, o capitalismo estaria muito mais distante do ideal cristão do que o comunismo, pois este último seria na verdade a própria expressão da ética do Cristo: para cada um conforme a sua necessidade e de cada um conforme a sua capacidade. Os que podem mais, contribuem mais e o que necessitam mais, recebem mais. Nada mais cristão.
O que vemos, pois, é que, embora possa parecer contraditória e totalmente descabida, a máxima que dá título a este escrito consegue se fazer justificar. Afinal, se o verdadeiro cristianismo é uma religião ao redor de uma mesa, onde todos podem ter o mesmo pedaço de pão, se tornando cumpanis - do latim, "com quem você come o pão" -, quem melhor do que os comunistas para nos ensinar o abrasileiramento da palavra companheiro?
Que tipo de evangelho fará diferença nestes dias?
Tenho trabalhado, pregado, ensinado, debatido e posto este tema em constante efervescência por onde tenho andado.
Que tipo de evangelho fará realmente a grande diferença nestes dias, tão difíceis, de questionamentos novos e antigos.
Digo isso porque recentemente fui perguntado por um amigo, querendo saber minha opinião sobre o alinhamento dos planetas, que segundo a ciência, ocorrerá em 2012. Contudo, fui questionado por um adolescente (minha sobrinha Lara) sobre bebidas e tatuagens. Temas novos e antigos, que povoam, com naturalidade, a mente de todos.
Que evangelho responderá a estes anseios, que tipo de pregação se somará às muitas respostas possíveis?
Creio que não passou o tempo de dizer a verdade. Ela é. Ela sempre será. Jesus afirmou, categoricamente, ser a verdade (João 14.6). Isso indica que não temos uma segunda opção, Ele não é, nem jamais será uma das verdades. Portanto, se queríamos uma resposta sobre o que falar, falemos a verdade, e as verdades de Deus precisam ser conhecidas de todos.
A segunda questão, é que tipo de Igreja, as pessoas que procuram a verdade estão desejando.
Aí sim, estou cada mais convencido que as pessoas estão cansadas do modelo religioso de ser igreja, que há dezenas de gerações povoam o universo imaginário de tantos.
Aquela igreja de todos os domingos, aquela igreja de atividades marcadas pelos seus departamentos, aquela igreja em que as pessoas brigam porque não vêem ao ensaio e outras brigam porque erraram no ensaio, e outras brigam porque querem ser as "gerentes" universais do grande "berçário" que tornou-se algumas congregações, esta igreja, ninguém mais deseja, pelo menos ninguém que queira ter suas perguntas respondidas com sinceridade.
Igreja precisa, hoje e cada vez mais, ser humanizada. Precisa olhar para as pessoas, para os pequenos encontros, para os relacionamentos mais próximos e relevantes. Comunidades precisam abrir seus templos, não somente para cultos, mas para descobrirem o prazer de servir as pessoas, através dos trabalhos comunitários.
A igreja de hoje precisa descobrir a alegria da sala de estar de seus membros, onde regados a um chá com torradas, é possível falar das lutas da vida, sem serem travados pelo relógio apressado de uma liturgia fria.
As pessoas estão procurando uma igreja, formada por gente, capaz de ser gente para quem precisa de gente. A cada dia mais os templos vão se tornando apenas um aliado, uma ferramenta, e nada mais.
O evangelho que as pessoas precisam e que fará toda a diferença em suas vidas, fala exatamente disso, de vida. Não fala de dinheiro, de bens, de bençãos, nem de trocas com Deus, mas sim de vida, e vida em abundância.
As igrejas que as pessoas desejam é pintada com cor de gente, decorada por relacionamentos fraternos e cada vez mais pessoais. Nem precisa ser no templo, pode ser na mesa de uma cafeteria qualquer da cidade, no fim da tarde, num espaço pequeno, mas aconchegante, capaz de promover o que mais faz uma igreja saudável: seus relacionamentos.
Que tipo de evangelho fará realmente a grande diferença nestes dias, tão difíceis, de questionamentos novos e antigos.
Digo isso porque recentemente fui perguntado por um amigo, querendo saber minha opinião sobre o alinhamento dos planetas, que segundo a ciência, ocorrerá em 2012. Contudo, fui questionado por um adolescente (minha sobrinha Lara) sobre bebidas e tatuagens. Temas novos e antigos, que povoam, com naturalidade, a mente de todos.
Que evangelho responderá a estes anseios, que tipo de pregação se somará às muitas respostas possíveis?
Creio que não passou o tempo de dizer a verdade. Ela é. Ela sempre será. Jesus afirmou, categoricamente, ser a verdade (João 14.6). Isso indica que não temos uma segunda opção, Ele não é, nem jamais será uma das verdades. Portanto, se queríamos uma resposta sobre o que falar, falemos a verdade, e as verdades de Deus precisam ser conhecidas de todos.
A segunda questão, é que tipo de Igreja, as pessoas que procuram a verdade estão desejando.
Aí sim, estou cada mais convencido que as pessoas estão cansadas do modelo religioso de ser igreja, que há dezenas de gerações povoam o universo imaginário de tantos.
Aquela igreja de todos os domingos, aquela igreja de atividades marcadas pelos seus departamentos, aquela igreja em que as pessoas brigam porque não vêem ao ensaio e outras brigam porque erraram no ensaio, e outras brigam porque querem ser as "gerentes" universais do grande "berçário" que tornou-se algumas congregações, esta igreja, ninguém mais deseja, pelo menos ninguém que queira ter suas perguntas respondidas com sinceridade.
Igreja precisa, hoje e cada vez mais, ser humanizada. Precisa olhar para as pessoas, para os pequenos encontros, para os relacionamentos mais próximos e relevantes. Comunidades precisam abrir seus templos, não somente para cultos, mas para descobrirem o prazer de servir as pessoas, através dos trabalhos comunitários.
A igreja de hoje precisa descobrir a alegria da sala de estar de seus membros, onde regados a um chá com torradas, é possível falar das lutas da vida, sem serem travados pelo relógio apressado de uma liturgia fria.
As pessoas estão procurando uma igreja, formada por gente, capaz de ser gente para quem precisa de gente. A cada dia mais os templos vão se tornando apenas um aliado, uma ferramenta, e nada mais.
O evangelho que as pessoas precisam e que fará toda a diferença em suas vidas, fala exatamente disso, de vida. Não fala de dinheiro, de bens, de bençãos, nem de trocas com Deus, mas sim de vida, e vida em abundância.
As igrejas que as pessoas desejam é pintada com cor de gente, decorada por relacionamentos fraternos e cada vez mais pessoais. Nem precisa ser no templo, pode ser na mesa de uma cafeteria qualquer da cidade, no fim da tarde, num espaço pequeno, mas aconchegante, capaz de promover o que mais faz uma igreja saudável: seus relacionamentos.
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