Um amigo foi uma loja de departamentos trocar uns objetos.
Como sabia que a casa era desorganizada, ele foi preparado para a demora, que foi mais longa ainda.
Quando chegou a sua vez, diante de um funcionário desinteressado e deseducado, não teve o problema resolvido, mas teve tempo de ler um adesivo com o slogan da empresa:
-- Apaixonados por soluções.
Todos somos bons de teorias. Alguns até acreditamos que elas espelham nossas vidas.
No entanto, é incrível que, muitas vezes, entre o autoadesivo que nos colamos e a realidade que pretende descrever haja um grande abismo. Sim, o coração humano (o meu coração, o seu coração) é mesmo enganoso.
A solução não é remover o adesivo. O caminho é ser corajosamente fiel a ele.
Espaço criado para compartilhar idéias, pensamentos e até mesmo estimular uma discussão sadia sobre temas como vida, espiritualidade, teologia, política, família, etc. Espero que você curta bastante. Boa leitura!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Inventário de nossas dificuldades
Quando as coisas estão difíceis (uma doença, uma separação, uma dívida, uma confusão, por exemplo), de que precisamos?
Precisamos de um pouco de silêncio, mas não muito, silêncio que nos permita nos distanciar do diagnóstico que fizeram ou nos fizemos, como se a dor fosse de outrem, para que possamos fazer um auto-retrato verdadeiro, mesmo que duro.
Precisamos de um pouco de ousadia para, como na linda oração, aceitar o que precisamos aceitar e rejeitar o que precisamos rejeitar, uma tarefa que exige lucidez num momento em que a nossa razão não é plena. Por isto, o necessário silêncio inicial.
Precisamos procurar um rosto no qual olhar, um rosto que se estenda em ombros, braços, ouvidos e lábios, ombros sobre os quais chorar, se for caso; braços, que nos possam conduzir, se for o caso; ouvidos diante dos quais possamos ficar nus, se for o caso; lábios que nos ofereçam uma orientação, se for o caso.
Precisamos abrir um livro, que nos faça ir além de nós mesmos, pelos convites à troca de experiências, mesmo que unilateralmente; um livro que nos ajude a escapar, mesmo que por um tempo estratégico, da contaminação que o nosso problema dissemina; um livro que nos conte histórias de superação, porque outros percorreram um dia o nosso labirinto; um livro que nos mostre a insuficiência do otimismo superficial ou do pessimismo profundo.
Precisamos olhar para o Deus em quem cremos, mirando em Jesus Cristo que, ao sofrer o que sofreu, emocional e fisicamente, completamente nos revelou quem Deus é e quanto Ele se importa conosco, mesmo quando não remove pela raiz a nossa dor.
E tudo isto demanda coragem.
Precisamos de um pouco de silêncio, mas não muito, silêncio que nos permita nos distanciar do diagnóstico que fizeram ou nos fizemos, como se a dor fosse de outrem, para que possamos fazer um auto-retrato verdadeiro, mesmo que duro.
Precisamos de um pouco de ousadia para, como na linda oração, aceitar o que precisamos aceitar e rejeitar o que precisamos rejeitar, uma tarefa que exige lucidez num momento em que a nossa razão não é plena. Por isto, o necessário silêncio inicial.
Precisamos procurar um rosto no qual olhar, um rosto que se estenda em ombros, braços, ouvidos e lábios, ombros sobre os quais chorar, se for caso; braços, que nos possam conduzir, se for o caso; ouvidos diante dos quais possamos ficar nus, se for o caso; lábios que nos ofereçam uma orientação, se for o caso.
Precisamos abrir um livro, que nos faça ir além de nós mesmos, pelos convites à troca de experiências, mesmo que unilateralmente; um livro que nos ajude a escapar, mesmo que por um tempo estratégico, da contaminação que o nosso problema dissemina; um livro que nos conte histórias de superação, porque outros percorreram um dia o nosso labirinto; um livro que nos mostre a insuficiência do otimismo superficial ou do pessimismo profundo.
Precisamos olhar para o Deus em quem cremos, mirando em Jesus Cristo que, ao sofrer o que sofreu, emocional e fisicamente, completamente nos revelou quem Deus é e quanto Ele se importa conosco, mesmo quando não remove pela raiz a nossa dor.
E tudo isto demanda coragem.
Quando os males nos alcançam
“...tantos males e angústias o alcançarão, que dirá, naquele dia: Não me alcançaram estes males por não estar o meu Deus no meio de mim?” (Deuteronômio 31.17)

Um antigo provérbio chinês diz que “você não pode impedir que abutres sobrevoem sua cabeça, mas pode impedir que eles façam um ninho nela”. Males existem no mundo ao nosso redor todo o tempo. Entendemos males como a totalidade de atos, experiências e coisas indesejáveis ou nocivas que nos são prejudiciais, que nos ferem, ou que concorrem para o nosso dano ou ruína. Um mal é aquilo que é nocivo para a felicidade ou o bem-estar físico ou moral de alguém. Mas, a questão pivotal não é saber se males “sobrevoam” ou não as nossas cabeças, as nossas almas, as nossas vidas, mas se eles fizeram ninho nelas; se os males nos alcançaram!
O sentido de alcançar (hebr. matzah) nesse texto é o “entrar em união com”. Em outras palavras, a pergunta não é se males estão acontecendo em nossa vida, mas se eles “entraram em união” com a nossa alma! Se eles nos venceram! O Salmista explica esse sentido ao ilustrar os males com “muitas águas”: “Pelo que todo aquele que é santo orará a Ti, a tempo de Te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas a ele não chegarão” (Salmo 32. 6). A pergunta não é se águas transbordaram, mas se elas chegaram à nossa alma; se elas nos alcançaram.
Males nos alcançam quando a nossa reação a eles é a angústia (hebr. tsarah). Um exemplo é a história de Jacó. No dia em que Diná, sua filha, foi violentada por Siquém provocando um aberto conflito entre a família de Jacó e a família de Siquém (Gênesis 35), Jacó decide mudar-se para Betel e assim comunica a decisão: "Levantemo-nos e subamos a Betel; ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho por onde andei". Examinando o episódio de Betel (Gênesis 27 e 28), identificado por Jacó como o seu “dia de angústia”, vemos que Jacó fugiu de sua casa, foi tomado de medo, ausência de paz e, sobretudo, de um sentimento da ausência de Deus (Gênesis 28: 16). Angústia é tudo isso e um pouco mais, e a presença dela em nossa alma demonstra que males não apenas sobrevoaram as nossas cabeças, mas fizeram ninho em nossas vidas.
Males nos alcançam quando Deus não está em nosso meio. A pergunta que segundo o próprio Deus será feita por todo aquele que foi alcançado por males é esta: “não me alcançaram estes males por não estar o meu Deus no meio de mim?” O resultado para o pecado obstinado, i.e., da reincidência pecaminosa proposital, insistente, obstinada e rebelde a Deus e Sua Palavra, é que Deus esconde o rosto de tal pecador: “desampará-lo-ei, e esconderei o Meu rosto dele, para que seja devorado” (conf. Romanos 1: 18, 24, 26, 27 e 28). A causa da obstinação está clara: “Deus não está no meio”, i.e., Deus não está ocupando o centro da existência, da vida do pecador obstinado (conf. Salmo 46: 1-5). Outras coisas, pessoas, interesses estão ocupando a atenção e o foco da vida da pessoa, de modo que Deus foi, por assim dizer, colocado de lado, na periferia da vida.
A vida se nos apresenta como repleta de desafios e males. Não há possibilidade de fugir deles! Você não pode impedir que males sobrevoem sua vida, mas eles não precisam fazer um ninho na sua alma. Se Deus estiver no centro da vida, então, no transbordar das muitas águas, elas não nos alcançarão.

Um antigo provérbio chinês diz que “você não pode impedir que abutres sobrevoem sua cabeça, mas pode impedir que eles façam um ninho nela”. Males existem no mundo ao nosso redor todo o tempo. Entendemos males como a totalidade de atos, experiências e coisas indesejáveis ou nocivas que nos são prejudiciais, que nos ferem, ou que concorrem para o nosso dano ou ruína. Um mal é aquilo que é nocivo para a felicidade ou o bem-estar físico ou moral de alguém. Mas, a questão pivotal não é saber se males “sobrevoam” ou não as nossas cabeças, as nossas almas, as nossas vidas, mas se eles fizeram ninho nelas; se os males nos alcançaram!
O sentido de alcançar (hebr. matzah) nesse texto é o “entrar em união com”. Em outras palavras, a pergunta não é se males estão acontecendo em nossa vida, mas se eles “entraram em união” com a nossa alma! Se eles nos venceram! O Salmista explica esse sentido ao ilustrar os males com “muitas águas”: “Pelo que todo aquele que é santo orará a Ti, a tempo de Te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas a ele não chegarão” (Salmo 32. 6). A pergunta não é se águas transbordaram, mas se elas chegaram à nossa alma; se elas nos alcançaram.
Males nos alcançam quando a nossa reação a eles é a angústia (hebr. tsarah). Um exemplo é a história de Jacó. No dia em que Diná, sua filha, foi violentada por Siquém provocando um aberto conflito entre a família de Jacó e a família de Siquém (Gênesis 35), Jacó decide mudar-se para Betel e assim comunica a decisão: "Levantemo-nos e subamos a Betel; ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho por onde andei". Examinando o episódio de Betel (Gênesis 27 e 28), identificado por Jacó como o seu “dia de angústia”, vemos que Jacó fugiu de sua casa, foi tomado de medo, ausência de paz e, sobretudo, de um sentimento da ausência de Deus (Gênesis 28: 16). Angústia é tudo isso e um pouco mais, e a presença dela em nossa alma demonstra que males não apenas sobrevoaram as nossas cabeças, mas fizeram ninho em nossas vidas.
Males nos alcançam quando Deus não está em nosso meio. A pergunta que segundo o próprio Deus será feita por todo aquele que foi alcançado por males é esta: “não me alcançaram estes males por não estar o meu Deus no meio de mim?” O resultado para o pecado obstinado, i.e., da reincidência pecaminosa proposital, insistente, obstinada e rebelde a Deus e Sua Palavra, é que Deus esconde o rosto de tal pecador: “desampará-lo-ei, e esconderei o Meu rosto dele, para que seja devorado” (conf. Romanos 1: 18, 24, 26, 27 e 28). A causa da obstinação está clara: “Deus não está no meio”, i.e., Deus não está ocupando o centro da existência, da vida do pecador obstinado (conf. Salmo 46: 1-5). Outras coisas, pessoas, interesses estão ocupando a atenção e o foco da vida da pessoa, de modo que Deus foi, por assim dizer, colocado de lado, na periferia da vida.
A vida se nos apresenta como repleta de desafios e males. Não há possibilidade de fugir deles! Você não pode impedir que males sobrevoem sua vida, mas eles não precisam fazer um ninho na sua alma. Se Deus estiver no centro da vida, então, no transbordar das muitas águas, elas não nos alcançarão.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Chorar não custa nada
Em I Sm 30 vemos Ziclague ser saqueada pelos Amalequitas. Quando Davi e seus homens chegaram à cidade a encontraram queimada, e suas mulheres e seus filhos foram levados cativos. Nessa situação o vs 4 nos diz:
“Então Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.”
...chorar até não ter mais forças... Muitos já viveram essa experiência. Talvez até na mesma intensidade experimentada por Davi, pois a força da dor que sentimos não depende de como os outros a interpretam, mas de como nós a vivenciamos. A dor de um término de relacionamento de um adolescente pode parecer, para muitos, banal, mas para ele é uma dor extremamente intensa, portanto deve ser respeitada. Quantas vezes já nos vimos assim e nestes momentos somos tomados pela angustia e ficamos cegos para ver que ainda não é o fim...
Não é pecado chorar, não é pecado sentir dor, não é pecado ver nossas forças esgotadas. É reflexo da nossa humanidade. Mas quando as forças acabam... O que fazer se não temos ao menos forças para chorar? O que fazer quando as forças acabam? O que a vida faz com a gente, depende daquilo do que ela encontra dentro de nós. O vs 6 mostra o que ela encontrou em Davi:
“Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no Senhor, seu Deus.”
Quando nossa vida se esvai, quando o choro for tão grande que as lagrimas se esgotarem, precisamos trocar o desespero pela confiança no senhor. O que a vida tem encontrado dentro de nós? A exemplo de Davi, temos um Deus capaz de nos levar das cinzas à restituição.
“Então Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.”
...chorar até não ter mais forças... Muitos já viveram essa experiência. Talvez até na mesma intensidade experimentada por Davi, pois a força da dor que sentimos não depende de como os outros a interpretam, mas de como nós a vivenciamos. A dor de um término de relacionamento de um adolescente pode parecer, para muitos, banal, mas para ele é uma dor extremamente intensa, portanto deve ser respeitada. Quantas vezes já nos vimos assim e nestes momentos somos tomados pela angustia e ficamos cegos para ver que ainda não é o fim...
Não é pecado chorar, não é pecado sentir dor, não é pecado ver nossas forças esgotadas. É reflexo da nossa humanidade. Mas quando as forças acabam... O que fazer se não temos ao menos forças para chorar? O que fazer quando as forças acabam? O que a vida faz com a gente, depende daquilo do que ela encontra dentro de nós. O vs 6 mostra o que ela encontrou em Davi:
“Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no Senhor, seu Deus.”
Quando nossa vida se esvai, quando o choro for tão grande que as lagrimas se esgotarem, precisamos trocar o desespero pela confiança no senhor. O que a vida tem encontrado dentro de nós? A exemplo de Davi, temos um Deus capaz de nos levar das cinzas à restituição.
Não acomodar com o que incomoda...
A gente tem essa mania... Pior é quando essa “estranha” mania se torna um estilo de vida... Lá atrás, talvez não tão distante, dá pra identificar quando ela começou a tentar reinar...
Temos que ser inconformados... com o sistema e com o antinomismo, com a desigualdade e com a uniformidade, com aquilo que nos consome e com o que nem cócegas faz, com aquilo que incomoda... A gente tem mania de fazer do medo um destruidor de sonhos, de projetos, de situações. Não era pra ser assim... Se ao menos pudéssemos controlá-lo, se aceitássemos o conselho de Oswaldo Montenegro... “Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio...” E então... nos acomodamos...
É até paradoxal... Se incomoda porque nos acomodamos? Difícil explicar!!! O experimento é diferente do “experimentar.” No experimento se sabe o resultado final. O “experimentar” é uma incógnita. A vida é um experimentar... a gente apenas... vive... Neste “experimentar” está contido também aquilo que nos incomoda, mas com a voracidade da nossa rotina escravisadora, passa a ser visto como o apêndice do processo do viver. Se torna normal, apesar de nos incomodar, e paramos de lutar. Quando chegamos a esse ponto nos acomodamos com o que incomoda.
Não... não pode ser assim... não é pra ser assim. Podemos nos inconformar, lutar pelo que cremos, pelo que sonhamos, pelo que... queremos. Por mais que o futuro se apresente numa figura utópica de realidade, o amanhã só é amanhã porque pessoas protagonizaram o hoje. Precisamos ser protagonistas do presente. Precisamos lutar pelo que sonhamos, precisamos sonhar com o que queremos, precisamos querer o que sentimos, precisamos sentir o que nos incomoda. Eu sinto... mas nem tudo depende só de mim. Verdade!!! Tem coisas na vida que não podem ser feitas sozinhas... O que posso fazer então? Nunca me acomodar enquanto isso me incomodar..
Temos que ser inconformados... com o sistema e com o antinomismo, com a desigualdade e com a uniformidade, com aquilo que nos consome e com o que nem cócegas faz, com aquilo que incomoda... A gente tem mania de fazer do medo um destruidor de sonhos, de projetos, de situações. Não era pra ser assim... Se ao menos pudéssemos controlá-lo, se aceitássemos o conselho de Oswaldo Montenegro... “Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio...” E então... nos acomodamos...
É até paradoxal... Se incomoda porque nos acomodamos? Difícil explicar!!! O experimento é diferente do “experimentar.” No experimento se sabe o resultado final. O “experimentar” é uma incógnita. A vida é um experimentar... a gente apenas... vive... Neste “experimentar” está contido também aquilo que nos incomoda, mas com a voracidade da nossa rotina escravisadora, passa a ser visto como o apêndice do processo do viver. Se torna normal, apesar de nos incomodar, e paramos de lutar. Quando chegamos a esse ponto nos acomodamos com o que incomoda.
Não... não pode ser assim... não é pra ser assim. Podemos nos inconformar, lutar pelo que cremos, pelo que sonhamos, pelo que... queremos. Por mais que o futuro se apresente numa figura utópica de realidade, o amanhã só é amanhã porque pessoas protagonizaram o hoje. Precisamos ser protagonistas do presente. Precisamos lutar pelo que sonhamos, precisamos sonhar com o que queremos, precisamos querer o que sentimos, precisamos sentir o que nos incomoda. Eu sinto... mas nem tudo depende só de mim. Verdade!!! Tem coisas na vida que não podem ser feitas sozinhas... O que posso fazer então? Nunca me acomodar enquanto isso me incomodar..
A Morte de Bin Laden e suas implicações
Dia atrás, o presidente Barack Obama trouxe uma informação muito aguardada – e até desacreditada – ao mundo: Osama Bin Laden estava morto em conseqüência de uma operação coordenada pela CIA na Líbia. Agora devemos nos perguntar: que significado pode ter a morte de Bin Laden para o mundo?
Acho o evento em torno da morte dele mais significativo que a própria morte do terrorista e compreendermos o que está acontecendo é importante para sabermos os rumos que o mundo está tomando.
Bin Laden comandou os ataques aos Estados Unidos em 2001. Lembro-me de ficar boquiaberto diante da situação. O World Trade Center em chamas, a população chocada nas ruas, a apreensão do que mais poderia acontecer naquele dia onde até o presidente Bush tardou em levantar-se da cadeira numa escola que visitava. Atônito, ele ficou sem reação como alguém que caminha pela rua e de repente é atacado.
Do outro lado do mundo, pessoas saiam às ruas para comemorar esta barbárie. Vibraram, tendo êxtases de prazer pelo sangue e pelas lágrimas de desespero dos inimigos. Lembro-me de ficar mais uma vez chocado. Uma coisa – que já é horrível – é você matar uma pessoa, outra é depois de matar ir a uma festa para comemorar, outra pior ainda, é você conseguir seguidores que festejem com você.
Dez anos se passaram e os Estados Unidos conseguiram localizar o seu inimigo número um. O que fizeram? Entraram em sua casa e, depois de uma troca de tiros com um segurança, encontraram Bin Laden desarmado e lhe mataram com dois tiros, um na cabeça e outro no peito. Depois disso a população dos Estados Unidos saiu às ruas para comemorar e festejar a morte do terrorista. Ricardo Gondim em seu Twitter lembrou que na execução dos nazistas – que causaram muito mais sofrimentos aos judeus, que os terroristas aos americanos – os judeus resignaram-se, não saíram às ruas festejando, somente tiveram um sentimento de alguma justiça sendo feita.
Quem julgou Bin Laden, que corte o condenou à morte? Nenhuma. Ele foi condenado à morte pelo sentimento de vingança, pela euforia de que precisaria estar morto. A Declaração dos Direitos Humanos em seu artigo V declara que “ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”; no artigo X continua dizendo que “toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e publica, por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele”.
Certamente alguns me diriam que Bin Laden era um terrorista sanguinário que não tinha nenhum sentimento de misericórdia e que, como tal, não merecia de misericórdia. Ao que eu respondo com algumas perguntas: será que os estados democráticos têm que se transformar em estados terroristas e sanguinários para combater o terrorismo? Será que vamos trabalhar para promover a selvageria ao invés da civilização?
Os Direitos da ONU foram escritos pouco tempo depois da II Guerra Mundial, exatamente porque os estados perceberam a importância de um acordo que constrangesse a selvageria. O mundo, naquele tempo, percebeu de forma clara que o ser humano pode se transformar no animal mais cruel que esse planeta já conheceu. Os animais matam por segurança e necessidade de sobrevivência – fome, por exemplo –, nós matamos com requintes de crueldade, criamos a tortura, que procura matar moralmente a pessoa antes de matarmos seu corpo, criamos estados que podem se tornar ditaduras sanguinárias como a ex URSS e outros... o homem pode ser a pior besta contra ele mesmo.
Os direitos humanos procuram trazer o homem civilizado – o que vive em comunidade, capaz de ter um sentimento de justiça, da importância do outro, do acolhimento e de irmandade, racional – à tona, porque se esse homem não surge, a besta nos aparece e o pior não é haver – pois sempre haverá – bestialidades no mundo, mas é quando institucionalizamos essa sede por sangue.
Bin Laden seria de qualquer jeito condenado à morte por qualquer tribunal do ocidente, mas isso não justifica sua morte antecipada. Se uma corte lhe condenasse ele morreria condenado à morte, mas como foi arbitrário, foi um assassinato, nada mais que isso e quando vemos a festa nas ruas dos Estados Unidos por sua morte me pergunto: o que festejam eles? Festejam o sangue derramado de um inimigo, o lado mudou, agora foram os americanos que comemoraram a morte de um inimigo, mas o sentimento que alicerçou toda essa euforia em nada se distingue da euforia dos que comemoraram o 11 de setembro.
Percebo claramente que depois dos ataques às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, Bush começou uma política de polarização do mundo, de cassação dos direitos humanos com a finalidade de obter confissões em Guantánamo para caçar terroristas, declarou unilateralmente guerra ao Iraque, passando por cima da resolução da ONU que foi contra a guerra, Obama continuou a política sanguinária desse governo e essa polarização maniqueísta, na França, por exemplo, Sarkozy recentemente fechou as fronteiras para refugiados das guerras que estão acontecendo no norte da África, descumprindo assim mais um artigo XIV que diz que “toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e gozar asilo em outros países”.
Estamos nivelando o mundo por baixo, pelo ressentimento, pela vingança, pela bestialidade, pelo terror e só poderemos colher no futuro o que essas atitudes nos oferece, ou seja, mais ressentimento, mais vingança, mais bestialidade, mais terror e dessa vez, como já fizemos no passado, tudo institucionalizado pelo estado.
Acho o evento em torno da morte dele mais significativo que a própria morte do terrorista e compreendermos o que está acontecendo é importante para sabermos os rumos que o mundo está tomando.
Bin Laden comandou os ataques aos Estados Unidos em 2001. Lembro-me de ficar boquiaberto diante da situação. O World Trade Center em chamas, a população chocada nas ruas, a apreensão do que mais poderia acontecer naquele dia onde até o presidente Bush tardou em levantar-se da cadeira numa escola que visitava. Atônito, ele ficou sem reação como alguém que caminha pela rua e de repente é atacado.
Do outro lado do mundo, pessoas saiam às ruas para comemorar esta barbárie. Vibraram, tendo êxtases de prazer pelo sangue e pelas lágrimas de desespero dos inimigos. Lembro-me de ficar mais uma vez chocado. Uma coisa – que já é horrível – é você matar uma pessoa, outra é depois de matar ir a uma festa para comemorar, outra pior ainda, é você conseguir seguidores que festejem com você.
Dez anos se passaram e os Estados Unidos conseguiram localizar o seu inimigo número um. O que fizeram? Entraram em sua casa e, depois de uma troca de tiros com um segurança, encontraram Bin Laden desarmado e lhe mataram com dois tiros, um na cabeça e outro no peito. Depois disso a população dos Estados Unidos saiu às ruas para comemorar e festejar a morte do terrorista. Ricardo Gondim em seu Twitter lembrou que na execução dos nazistas – que causaram muito mais sofrimentos aos judeus, que os terroristas aos americanos – os judeus resignaram-se, não saíram às ruas festejando, somente tiveram um sentimento de alguma justiça sendo feita.
Quem julgou Bin Laden, que corte o condenou à morte? Nenhuma. Ele foi condenado à morte pelo sentimento de vingança, pela euforia de que precisaria estar morto. A Declaração dos Direitos Humanos em seu artigo V declara que “ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”; no artigo X continua dizendo que “toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e publica, por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele”.
Certamente alguns me diriam que Bin Laden era um terrorista sanguinário que não tinha nenhum sentimento de misericórdia e que, como tal, não merecia de misericórdia. Ao que eu respondo com algumas perguntas: será que os estados democráticos têm que se transformar em estados terroristas e sanguinários para combater o terrorismo? Será que vamos trabalhar para promover a selvageria ao invés da civilização?
Os Direitos da ONU foram escritos pouco tempo depois da II Guerra Mundial, exatamente porque os estados perceberam a importância de um acordo que constrangesse a selvageria. O mundo, naquele tempo, percebeu de forma clara que o ser humano pode se transformar no animal mais cruel que esse planeta já conheceu. Os animais matam por segurança e necessidade de sobrevivência – fome, por exemplo –, nós matamos com requintes de crueldade, criamos a tortura, que procura matar moralmente a pessoa antes de matarmos seu corpo, criamos estados que podem se tornar ditaduras sanguinárias como a ex URSS e outros... o homem pode ser a pior besta contra ele mesmo.
Os direitos humanos procuram trazer o homem civilizado – o que vive em comunidade, capaz de ter um sentimento de justiça, da importância do outro, do acolhimento e de irmandade, racional – à tona, porque se esse homem não surge, a besta nos aparece e o pior não é haver – pois sempre haverá – bestialidades no mundo, mas é quando institucionalizamos essa sede por sangue.
Bin Laden seria de qualquer jeito condenado à morte por qualquer tribunal do ocidente, mas isso não justifica sua morte antecipada. Se uma corte lhe condenasse ele morreria condenado à morte, mas como foi arbitrário, foi um assassinato, nada mais que isso e quando vemos a festa nas ruas dos Estados Unidos por sua morte me pergunto: o que festejam eles? Festejam o sangue derramado de um inimigo, o lado mudou, agora foram os americanos que comemoraram a morte de um inimigo, mas o sentimento que alicerçou toda essa euforia em nada se distingue da euforia dos que comemoraram o 11 de setembro.
Percebo claramente que depois dos ataques às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, Bush começou uma política de polarização do mundo, de cassação dos direitos humanos com a finalidade de obter confissões em Guantánamo para caçar terroristas, declarou unilateralmente guerra ao Iraque, passando por cima da resolução da ONU que foi contra a guerra, Obama continuou a política sanguinária desse governo e essa polarização maniqueísta, na França, por exemplo, Sarkozy recentemente fechou as fronteiras para refugiados das guerras que estão acontecendo no norte da África, descumprindo assim mais um artigo XIV que diz que “toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e gozar asilo em outros países”.
Estamos nivelando o mundo por baixo, pelo ressentimento, pela vingança, pela bestialidade, pelo terror e só poderemos colher no futuro o que essas atitudes nos oferece, ou seja, mais ressentimento, mais vingança, mais bestialidade, mais terror e dessa vez, como já fizemos no passado, tudo institucionalizado pelo estado.
Barack Obama e os primeiros presos políticos do governo Dilma
E, enfim, eis que o presidente da maior potência bélica e econômica do mundo apareceu no Brasil. Não foi o primeiro a fazê-lo, mas, por ser Barack Hussein Obama, a tal visita vinha eivada de significados. Aos que se lembram da máxima de sua campanha para a presidência dos Estados Unidos da América do Norte, o famoso "Yes, we can", tê-lo aqui seria a grande oportunidade de entrar em contato com aquilo que podemos e com aquilo que, definitivamente, não podemos.
Na campanha eleitoral estadunidense o mundo ficou surpreso; parecia que, enfim, teríamos um hegemon presidido por alguém que olhava para questões preteridas pelos EUA há tempos. Na cabeça ingênua de gente comum que acompanha o sistema político internacional, o absurdo chamado Guantánamo seria enfim fechado, o sistema de saúde estadunidense ganharia possibilidades de atender aos pobres (o sistema lá é pior do que o nosso SUS, acredite), o embargo criminoso e ideológico contra Cuba seria revisto e a campanha bélica ganharia um tom menos bárbaro, começando com a retirada de tropas usurpadoras de um Iraque que verdadeiramente não tinha armas químicas e que foi invadido sem o consentimento da ONU (órgão que já não se sabe mais para o quê serve). Não veio esse homem ao Brasil, no entanto.
De promessa de campanha eleitoral, apenas a equiparação de salários entre os homens e as mulheres que exercerem a mesma função, algo que para uma potência econômica era mais do que obrigação. No mais, o Obama que nos visitou foi a personificação da decepção, visto que em pouco - ou nada - se diferencia do brucutu chamado George Bush. Triste, mas real.
De nossa parte, periferia do sistema econômico mundial, cabia o de sempre: se pouco politizados, "babar ovo" para o "superior e avançado"; se muito politizados, protestar contra a forma menosprezadora com que ainda nos tratam e contra mais uma guerra em busca de petróleo e dominação, que é a invasão da Líbia.
Mas o pior de tudo estaria por vir. O que assistimos nos dias daquela visita nos assustou. Assim como Obama é uma decepção, tivemos de lamentar a postura de nossa presidenta Dilma Rousseff. Numa atitude subserviente ao presidente do hegemon da vez, Dilma foi conivente com a prisão de vários companheiros de luta contra a dominação e a visão belicista da história. Foram vários os estudantes que tiveram suas cabeças raspadas, suas roupas retiradas e suas vidas aprisionadas em celas comuns, durante o tempo em que Obama esteve no Brasil. Afinal, para a presidenta, outrora presa e torturada pelo mesmo sistema estadunidense - responsável pelas ditaduras em toda a América Latina, incluindo a vergonhosa que tomou nosso país -, não foi problema fazer com os estudantes do Rio de Janeiro o que fizeram com ela anos atrás.
Por terem protestado contra a visão belicista estadunidense, nossos companheiros tiveram de sofrer, ironia do destino, o mesmo que nossa presidenta sofreu, só que agora com tudo consentido pela própria presidenta! O que vemos, pois, é que quem é torturado não esquece jamais. Ou entra em parafuso, lutando como louco para sobreviver aos fantasmas que tais abusos trazem, ou aprendem as nefastas técnicas para utilizá-las tempos depois. A última opção, tristemente, aconteceu com nossa Dilma Rousseff, a quem também dei meu voto, pois, como os estadunidenses, acreditei na farsa de que, sim, nós podemos.
Num mundo individualista e baseado na força de Mamon, o deus dinheiro, nós não podemos e, definitivamente, não temos muita força nem para apoiar o movimento Tortura Nunca Mais, pois aqui, tristemente, e tal como nos Estados Unidos, tortura nunca é demais.
Na campanha eleitoral estadunidense o mundo ficou surpreso; parecia que, enfim, teríamos um hegemon presidido por alguém que olhava para questões preteridas pelos EUA há tempos. Na cabeça ingênua de gente comum que acompanha o sistema político internacional, o absurdo chamado Guantánamo seria enfim fechado, o sistema de saúde estadunidense ganharia possibilidades de atender aos pobres (o sistema lá é pior do que o nosso SUS, acredite), o embargo criminoso e ideológico contra Cuba seria revisto e a campanha bélica ganharia um tom menos bárbaro, começando com a retirada de tropas usurpadoras de um Iraque que verdadeiramente não tinha armas químicas e que foi invadido sem o consentimento da ONU (órgão que já não se sabe mais para o quê serve). Não veio esse homem ao Brasil, no entanto.
De promessa de campanha eleitoral, apenas a equiparação de salários entre os homens e as mulheres que exercerem a mesma função, algo que para uma potência econômica era mais do que obrigação. No mais, o Obama que nos visitou foi a personificação da decepção, visto que em pouco - ou nada - se diferencia do brucutu chamado George Bush. Triste, mas real.
De nossa parte, periferia do sistema econômico mundial, cabia o de sempre: se pouco politizados, "babar ovo" para o "superior e avançado"; se muito politizados, protestar contra a forma menosprezadora com que ainda nos tratam e contra mais uma guerra em busca de petróleo e dominação, que é a invasão da Líbia.
Mas o pior de tudo estaria por vir. O que assistimos nos dias daquela visita nos assustou. Assim como Obama é uma decepção, tivemos de lamentar a postura de nossa presidenta Dilma Rousseff. Numa atitude subserviente ao presidente do hegemon da vez, Dilma foi conivente com a prisão de vários companheiros de luta contra a dominação e a visão belicista da história. Foram vários os estudantes que tiveram suas cabeças raspadas, suas roupas retiradas e suas vidas aprisionadas em celas comuns, durante o tempo em que Obama esteve no Brasil. Afinal, para a presidenta, outrora presa e torturada pelo mesmo sistema estadunidense - responsável pelas ditaduras em toda a América Latina, incluindo a vergonhosa que tomou nosso país -, não foi problema fazer com os estudantes do Rio de Janeiro o que fizeram com ela anos atrás.
Por terem protestado contra a visão belicista estadunidense, nossos companheiros tiveram de sofrer, ironia do destino, o mesmo que nossa presidenta sofreu, só que agora com tudo consentido pela própria presidenta! O que vemos, pois, é que quem é torturado não esquece jamais. Ou entra em parafuso, lutando como louco para sobreviver aos fantasmas que tais abusos trazem, ou aprendem as nefastas técnicas para utilizá-las tempos depois. A última opção, tristemente, aconteceu com nossa Dilma Rousseff, a quem também dei meu voto, pois, como os estadunidenses, acreditei na farsa de que, sim, nós podemos.
Num mundo individualista e baseado na força de Mamon, o deus dinheiro, nós não podemos e, definitivamente, não temos muita força nem para apoiar o movimento Tortura Nunca Mais, pois aqui, tristemente, e tal como nos Estados Unidos, tortura nunca é demais.
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