quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Deserto que se faz Necessário

Quando me recordo dos bons tempos de seminário, lembro-me com muita nostalgia do capelão daquela casa que sempre nos dizia que o seminário era um deserto, e que era necessário passarmos por ele.
A história do povo de Israel só pode ser compreendida a partir do deserto. De um povo marginalizado entre as nações Deus formou o seu povo eleito, libertando-o da escravidão do Egito e levando-o para a terra prometida.
Mas a libertação teve um preço. Para chegar a terra prometida foi necessário passar pelo deserto. Durante 40 anos os hebreus viveram no deserto. Foi um período de altos e baixos, revoltas e murmurações, fome e sede, provações e infidelidades.
A esperança desaparece quando não se alimenta a fé. A fé perde sua própria coragem e audácia quando o ser humano não deseja outra coisa a não ser a satisfação de suas necessidades imediatas. Para alimentar a fé é preciso ter uma espiritualidade de deserto.
O deserto nos faz caminhar. Não deixa a pessoa se acomodar. Caminhar significa levar continuamente consigo, sem deixar para trás, o objeto da própria esperança. Significa crer que estamos sendo conduzidos para a terra prometida e que todos os caminhos da fé, por mais sinuosos que sejam, conduzem a Deus. As dificuldades encontradas no caminho servem para lembrar que a salvação é dinâmica. A provação amadurece a fé, ao mesmo tempo em que revela de modo mais evidente, a grandeza de Deus.
O deserto é um itinerário espiritual; lugar constante de tentações e discernimentos. O deserto é escola de vida, nele o cristão amadurece suas opções e se deixa conduzir pelo espírito daquele que ressuscitou.
O deserto não é casa a ser habitada, mas espaço para realizar uma profunda experiência, que torne mais verdadeira as relações com Deus e com os irmãos. No deserto o ser humano descobre sua fraqueza e se vê obrigado a buscar força e amparo somente em Deus. É no silencio fecundo e pleno que se dá o encontro com o Deus da vida. O Deus do deserto é o Deus da fé.
O deserto assim sendo, acaba se tornando um tempo de revelação de Deus, renovação da aliança e restauração da santidade pessoal e comunitária.

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