Que evangelho estamos vivendo?
Cada um de nós tem uma história de vida cristã. Paulo teve a sua. Timóteo, sua avó e sua mãe também viveram as suas.
Quanto a nós, o que se pode falar?O que Paulo disse da família de Timóteo e dele mesmo? Como o apóstolo, temos servido com consciência limpa, isto é, certo de que estamos servindo, de que estamos mesmo fazendo o melhor que podemos, ou estamos esperando apenas que Deus nos sirva, ou apenas tocando a vida, sem serviço, sem poesia, sem graça?
Desde que confessamos a Jesus como Salvador e Senhor, recebemos o dom. Esse dom se expressa em termos de poder, amor e equilíbrio. O poder salvador é o poder de Deus que vem ao nosso encontro; é também o poder para uma vida que reanima em nós a imagem e semelhança de Deus. O amor é o amor de Jesus que se entrega por nós e espera que nos entreguemos por Ele e pelos outros. O equilíbrio é a força que o Espírito Santo nos confere para uma vida serena, mesmo em face dos adversários internos e externos. O dom que recebemos, portanto, nos traz o poder de Deus, o amor de Cristo e o equilíbrio do Espírito Santo.
Não podemos acender o dom, mas precisamos manter acesa a chama desse dom. Como Timóteo, corremos o perigo de ver a chama desse dom se apagar.
Quando vem as dificuldades, achamo-nos sozinhos, abandonados por Deus. Perguntamo-nos até se fomos mesmo salvos. Dizendo-o ou não, sentimo-nos vitimas de uma propaganda enganosa. A alegria da vida cristã vai sendo substituída por uma vida cristã ritualizada e rotineira. Por fim, em alguns casos, nem o ritual sobrevive.
Quando convivemos mais de perto com alguns líderes e cristãos comuns, a decepção pode jogar um caminhão-pipa de água sobre a chama do dom. Não achamos que devem olhar para nós, porque somos falhos, mas olhamos para os outros, que não podem falhar. E mais uma vez, o fogo da fé vai se tornando um monte de cinzas. Se vier uma tempestade, até as cinzas se vão na lama.
Paulo também podia ter experimentado o mesmo caminho. Preso, poderia ter-se perguntado se Deus o vocacionara mesmo. Preso, poderia ter-se perguntado onde foi que errou. Paulo estava preso por ordem do imperador romano. Pelo menos era o que o imperador pensava. Pelo menos, era o que todos imaginavam. Paulo não, ele sabia que os poderes desse mundo são transitórios. Quando lhe faltou dinheiro para pregar o evangelho, trabalhou com as próprias mãos, mas sabia que a escassez seria transitória. Quando foi perseguido e chicoteado sabia que a dor seria transitória. A certeza do apóstolo era que Deus estava no controle de sua vida, por mais descontrolada que as circunstâncias a tornavam.
Paulo cria no Pai que o chamara, no Cristo que o salvara e no Espírito Santo que o preservava. Por isto, escreve, com convicção animadora: “Sei em quem tenho crido”.
E nós, em quem temos crido?
O mestre Paulo Freire disse que pensar "é como ter dores de parto". Pode doer, mais ao fim, nasce um filho. Parabéns por ser propor a aumentar sua prole. Iremos acompanhá-lo, negão!
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