quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tupi Or Not Tupi

Em 1922 aconteceu, na cidade de São Paulo, a semana de Arte Moderna. Ela reuniu pintores, escritores, músicos e artistas para afirmar, no ano do centenário da nossa independência, a necessidade de produzir uma cultura voltada para o Brasil, menos presa a “estrangeirismos”.
“Tupi or not Tupi: eis a questão”, diziam os modernistas, abrasileirando a frase de Hamlet, personagem de Shakespeare. Buscando nossa identidade, nosso próprio modo de ser, artistas e intelectuais saíam de um mundo fechado, eurocêntrico, e passavam a reconhecer o povo em suas obras.
A arte brasileira começou a adquirir características mais nacionais através da criatividade, ainda bem atual, de Villa Lobos, Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Oswald e Mário de Andrade, entre outros.
Na verdade quando olho para a Semana de Arte Moderna consigo entender que todo o acontecido narrado nos parágrafos acima se faz presente nos nossos dias. Como pastor me “atrevo” a falar apenas de algo onde estou inserido, nada mais do que isso.
Pensando na igreja e lembrando de um passado bem recente quando os norte americanos e europeus diziam que não tínhamos capacidade e muito menos competência para caminhar com as próprias pernas, entendo que precisamos avançar constantemente.
Mas é lamentável e muito triste que a igreja brasileira ainda não despertou para a nossa necessidade de construirmos uma teologia brasileira, voltada para o nosso povo, com liturgia brasileira, com musicas que falem da nossa realidade e acima de tudo com metodologias voltadas para a nossa realidade.
Durante anos temos importado “lixo comercial e industrial” que não vem de terras tupiniquins, muito pelo contrário, vem do norte onde o “frio e o imperialismo ideológico” se tornam cada vez mais presente.
Finalizo me recordando de um grande mestre do S.T.B.S.B. (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) chamado Clemir Fernandes que constantemente nos dizia: “Posso até estar ficando louco, mas olhem para o nosso redor e vejam. É ou não é verdade ?”. Que respondam as vossas consciências.

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